Publicado por: absesimbra | 18 de Abril de 2016

Pregação 17.Abril.2016 Igreja local (Continuação Conferência fiel)

A semana passada tive o privilégio de pregar na igreja da AB de Bias, no contexto do retiro de pastores, e foi uma boa experiência, apresento cumprimentos da igreja de Bias para a igreja de Sesimbra.

Há duas semanas comecei um resumo daquilo que aprendi na conferência fiel, que tive a oportunidade de participar e de aprender muito em relação a igreja local e é minha intenção então de pregar sobre isso.

LER Actos 2:37-47 – temos aqui a descrição de como a igreja se iniciou, de como vivia a igreja primitiva.

Um dos livros que fomos motivados a ler na conferência como disse foi este (Mostrar a capa) – “O que é uma igreja saudável?” de Mark Dever. É um pequeno resumo de um livro maior de nome: “As 9 marcas de uma igreja saudável!” Que iremos estudar também, por achar muito pertinente para a nossa igreja.

Este pequeno livro que já li mais de metade, bem como alguns dos estudos que tivemos na formação esta semana, fazem-nos a seguinte pergunta?

O que você procura em uma igreja?

Vimos que devemos procurar uma igreja que seja fiel à palavra de Deus e que ensine de uma forma clara e correta a palavra de Deus.

Mas este livro leva-nos também para a questão: Qual a relação entre nós que somos cristãos e a igreja?

Importa também saber também o que é a igreja local? E já na outra pregação eu tinha lido esta definição e vou lê-la novamente:

“Um cristão é alguém que antes e acima de tudo, foi perdoado de seu pecado e reconciliado com Deus, o Pai, por meio de Jesus Cristo. A igreja é um grupo de cristãos. Ser reconciliado com Deus por meio de Cristo significa ser reconciliado com todos aqueles que também estão reconciliados com Deus por meio de Jesus.”

Perceber que o nosso relacionamento com Deus implica uma série de outros relacionamentos secundários, os relacionamentos que Cristo estabeleceu entre nós, o seu corpo – a igreja.

Meditar na analogia de uma família nos ajude a perceber que estar reconciliado com Deus também significa estar reconciliado com o seu povo. Se você é um órfão, você não adota os seus pais, são os pais que o adotam a si.

Quando alguém se torna um cristão, ele não se une a uma igreja local tão-somente porque isso é um hábito que contribui à maturidade espiritual. Ele se une a uma igreja local porque isso é a expressão daquilo em que Cristo o tornou – um membro de seu corpo.

Estar unido a Cristo implica estar unido a todos os cristãos. Contudo, essa união universal precisa de ter uma existência viva e atuante em uma igreja local.

Quando nos reunimos para adorar a Deus, exercitar o amor e praticar as boas obras uns para com os outros, demonstramos na vida real, podemos assim dizer, o facto de que Deus nos reconciliou consigo mesmo uns com os outros.

Demonstramos ao mundo que fomos mudados, não primariamente porque memorizamos versículos bíblicos, oramos antes das refeições ou damos o dízimo, mas sim porque mostramos de maneira crescente uma disposição de suportar, perdoar e amar o grupo de pecadores semelhantes a nós, e isso mostra-se no contexto de igreja local.

Você e eu não podemos demonstrar amor, alegria, paz, paciência ou bondade vivendo isoladamente. Ora, demonstramos essas virtudes quando as pessoas com as quais nos comprometemos dão boas razões para que não as amemos e, apesar disso, nós as amamos.

Você entende? É exatamente aqui – no meio de um grupo de pecadores que se comprometeram a amar uns aos outros – que o evangelho é demonstrado. A igreja dá uma apresentação visual do evangelho quando perdoamos uns aos outros como Cristo nos perdoou, quando nos comprometemos uns com os outros como Cristo se comprometeu connosco e quando entregamos as nossas vidas uns pelos outros como Cristo entregou a sua vida por nós.

Ser um verdadeiro cristão significa preocupar-se com a vida e saúde do corpo de Cristo, a igreja. Significa preocupar-se com o que a igreja é e o que ela deveria ser, porque você, cristão, pertence à igreja.

A forma como Deus lidou connosco (e como foi isso?), é a forma como Deus quer que nós lidemos com os irmãos na igreja. Para que o evangelho seja vivido e atraia outros a Deus.

Usando novamente a analogia de uma família, como é que mantemos o equilíbrio sobre aquilo que acontece no seio da igreja?

Como acontece com as famílias cristãs? Fazem coisas juntos, tomam as refeições juntos, fazem férias juntos, vivem juntos, oram juntos, etc… mas durante a conversa sobre este assunto todos nós sabemos que os pais cometem erros, as crianças são crianças, a família não é apenas uma instituição é um grupo de pessoas.

Isto também é verdade acerca da igreja. A igreja falha em atender as suas expectativas em termos do que ela faz?

Lembre-se de que ela é um grupo de pessoas que está crescendo na graça. Ame essas pessoas. Sirva-as. Tenha paciência para com elas. Pense novamente numa família. Seus pais, irmãos ou filhos fracassam em satisfazer as suas expectativas, você os expulsa repentinamente da família?

A igreja é um povo, não é um lugar nem uma estatística. É um corpo, unido a Cristo, que é a cabeça. É uma família unida por adoção por meio de Cristo.

Temos uma responsabilidade para com os nossos irmãos em Cristo, e da mesma forma os irmãos mais velhos devem orientar os mais novos.

Orientar e amá-los e não afastá-los do pai.

Se analisarmos a palavra de Deus existem muitos princípios ou mandamentos que estão diretamente ligados aos relacionamentos no contexto da igreja local.

A relação dos termos “uns aos outros” expressa mutualidade. Eles aparecem 102 vezes no NT, 51 vezes delas referindo-se às bases recíprocas da vida cristã.

LER João 13:34-35 – este ensino de Jesus tem de estar na base dos relacionamentos dentro da igreja local. E é aqui nesta premissa que se encontra baseada todas as expressões bíblicas dos “Uns aos outros”.

Existem mandamentos que tratam dos nossos relacionamentos, e dentro dos nossos relacionamentos aquilo que devemos evitar e aquilo que devemos investir para nos edificarmos uns aos outros e servirmos uns aos outros.

Este será um percurso que teremos de fazer juntos a fim de tornarmos a nossa igreja uma expressão do amor de Deus, um local onde o Espírito Santo age através dos filhos de Deus, onde as pessoas se sentem aceites, se sentem suportadas, se sentem amadas.

A cultura do evangelho não é uma cultura de julgamento, não é uma cultura de maledicência (ou seja falar mal pelas costas), não é uma cultura de intolerância, não é uma cultura de espírito crítico, mas sim uma cultura de reconciliação, uma cultura de aceitação, uma cultura de misericórdia e graça, uma cultura de perdão, uma cultura de amor.

No amor uns aos outros tornamos o evangelho vivo.

Termino lendo I João 4:11 e Filipenses 1:27 e 2:1-4

Como o irmão é conhecido? Por alguém que ama? Por alguém que perdoa? Por alguém que tem misericórdia? Por alguém que é gracioso?

Ou por outro lado, por alguém que só destrói? Alguém que tem um espírito crítico maledicente? Que é legalista, mas apenas com os outros?!?!

Porque irmãos a forma como você é conhecido é assim como a igreja é conhecida.

Analisando novamente o exemplo da igreja primitiva, como é que a igreja crescia?

Actos 2:42-47 LER

Mas quererá isto dizer que temos de tolerar tudo até o pecado? Nada disso irmãos, vejamos o que diz Romanos 6:1-2

Temos de confrontar o pecado, mas como Deus o fez, amando o pecador. Na cultura do amor lutamos contra as ações e não contra aquele que fez as ações.

Irmãos temos de mudar… se queremos transformar Sesimbra temos primeiro de nos transformarmos a nós.

Termino com um texto da autoria de Calvino:

IGREJA – MÃE DOS QUE CRÊEM

Como reação ao catolicismo romano temos perdido a noção de que “a igreja é a mãe daqueles de quem Deus é o Pai” (Calvino). Encontramos Paulo a usar esta expressão em Gl 4.26. Ganharíamos muito em retomar esta verdade! É no seio da igreja local que o cristão é nutrido (pela Palavra e ordenanças), disciplinado, encorajado e assim cresce em santidade e vigor espiritual, tal como um filho cresce e floresce sob os cuidados de sua mãe. A Igreja é constituída por todos os eleitos, em todo o tempo, mas é manifesta no espaço e no tempo através da igreja visível, a igreja local, em que cada cristão deve estar inserido, ser parte, ser membro, servir e se submeter e honrar a autoridade da congregação tal como um filho se submete e honra a autoridade de sua mãe.
“Assim, pois, do mesmo modo como é necessário crer na Igreja que nos é invisível mas é conhecida por Deus, assim nos manda que honremos a Igreja visível e nos mantenhamos em comunhão com ela.” (Calvino)

 


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