Publicado por: absesimbra | 29 de Março de 2020

Pregação 22 março 2020 Habacuque 3:17-19

Nos vários contextos de calamidade que se viveu e atualmente este que se vive a nível mundial, para nós cristãos, existe uma passagem Bíblica que fazemos questão de recitar. Ela encontra-se em Habacuque 3:17-19, e afirma o seguinte:

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.”

Estas palavras de Habacuque, que no final do livro percebemos que se tratava de uma música (“Ao mestre de música. Para instrumento de corda.”) nos dias de hoje é igualmente usada para letra de várias músicas de artistas gospel. Isto talvez porque são palavras que devem estar sempre presentes na nossa mente e coração, e em forma de música sejam mais fáceis de memorizar.

Mas que contexto Habacuque estava a viver, para chegar a dizer estas palavras? É muito importante percebermos o que estava a acontecer no contexto histórico cultural do povo de Judá, quando Habacuque termina o seu livro com estas palavras. No que toca ao contexto importa saber o seguinte:

– Judá estava prestes a ser invadido pelos Babilónicos, cujo o rei era Nabucodonosor, por volta do ano 605 a.C. Talvez o episódio de Daniel sendo levado cativo para a Babilónia seja mais conhecido de todos nós, pois o contexto histórico de Habacuque é anos antes desse exílio a que o povo de Judá foi sujeito.

– O rei Nabucodonosor, e os babilónicos não tinham uma fama muito agradável para quem fosse dominado por eles. Temos relatos históricos de que este rei babilónico foi o mais imponente de todos os reis desse vasto império e a forma como ele tratava os seus súbditos e amigos, por exemplo descrito em Daniel 1:10 (medo do chefe dos eunucos do rei); Daniel 2:5 (ameaça aos sábios e ás suas famílias); Daniel 2:12 (morte de todos os sábios do império); Daniel 3:19-23 (fornalha ardente); 2 Reis 25:7 (esvaziar os olhos de Zedequias – o rei de Judá); não trazia muita esperança aos seus inimigos e aos dominados de outros povos conquistados pelos seus exércitos.

– O Profeta Jeremias é contemporâneo de Habacuque, e vemos no final do livro de Jeremias, capítulo 51:1 que o império da Babilónia é usado por Deus para trazer o exílio sobre Jerusalém, isto porque de acordo com o que estes dois profetas relatam, o povo de Deus estava desviado do caminho do Senhor, e Deus porque o ama tem necessidade de o repreender. O início do cativeiro é relatado em 2 Reis 24 e 25.

Este contexto faz-me lembrar uma frase que li esta semana que dizia:

“A única maneira de Deus mostrar que está no controle, é colocar-te em situações em que tu não podes controlar.”

A circunstância que Judá estava prestes a enfrentar fugia do seu controlo. Por mais que eles resistissem, eles percebiam que o exército babilónico era muito mais poderoso do que eles, não havia humanamente falando resistência possível. A única solução possível, seria Deus intervir, mas percebemos que Deus usou a Babilónia para voltar a trazer os judeus ao foco certo, que era Deus.

Não sei, nem sequer estou a afirmar, que esta pandemia que atravessamos hoje é algo enviado por Deus para nos focarmos no que interessa. Mas na verdade li um texto muito interessante sobre o impacto que esta situação toda está a ter em nós. O texto é de um psicólogo que se chama Dr. Leonardo Morelli (psicólogo)

 

“Acredito que o Universo tem a sua maneira de equilibrar as coisas e as suas leis quando estão viradas do avesso. O momento que vivemos, cheio de anomalias e paradoxos, dá que pensar. Numa altura em que as alterações climáticas causadas por desastres ambientais chegaram a níveis preocupantes, primeiro a China e depois tantos outros países veem-se obrigados ao bloqueio. A Economia colapsa, mas a poluição diminui consideravelmente. O ar melhora; usam-se máscaras, mas respira-se.

Num momento histórico em que algumas ideologias e políticas discriminatórias, com fortes referências a um passado mesquinho, estão a reativar-se em todo o planeta, chega um vírus que nos faz perceber que, num instante, podemos ser nós os discriminados, os segregados, os bloqueados na fronteira, os portadores de doenças. Mesmo que não tenhamos culpa disso. Mesmo que sejamos brancos, ocidentais e viajemos em classe executiva.

Numa sociedade fundada na produtividade e no consumo, em que todos nós corremos 14 horas por dia na direção não se sabe muito bem de quê, sem sábados nem domingos, sem feriados no calendário, de repente chega o “parem”. Fechados, em casa, dias e dias. A fazer contas com o tempo do qual perdemos o valor. Será que ainda sabemos o que fazer dele?

Numa altura em que o acompanhamento do crescimento dos filhos é, por força das circunstâncias, confiado a outras figuras e instituições, o vírus fecha as escolas e obriga a encontrar outras soluções, a juntar a mãe e o pai com as crianças. Obriga a refazer família.

Numa dimensão em que as relações, a comunicação, a sociabilidade se processa principalmente no “não-espaço” do virtual, das redes sociais, dando-nos uma ilusão de proximidade, o vírus tolhe-nos a verdadeira proximidade, a real: que ninguém se toque, nada de beijos, nada de abraços, tudo à distância, na frieza do não contacto. Até que ponto dávamos por adquiridos estes gestos e o seu significado?

Numa altura em que pensar no próprio umbigo se tornou regra, o vírus envia uma mensagem clara: a única saída possível é através da reciprocidade, do sentido de pertença, da comunidade, do sentimento de fazer parte de algo maior, de que cuidamos e que pode cuidar de nós. A responsabilidade partilhada, o sentir que das nossas ações depende não apenas o nosso destino, mas o de todos os que nos rodeiam. E que dependemos das deles.

Por isso, deixemo-nos da caça às bruxas, de perguntar de quem é a culpa ou porque é que tudo isto aconteceu, e perguntemos antes o que podemos aprender com isto. Creio que temos todos muito para refletir e fazer. Porque para com o Universo e as suas leis, evidentemente, temos uma grande dívida. Explica-nos o vírus, com juros muito altos.”

E em tempos como este que vivemos hoje, ou como os que Habacuque, Jeremias e Daniel estavam a viver o verso 4 do capítulo 2 do livro do profeta Habacuque tem algo de extrema importância para nos ensinar.

“Eis o soberbo! A sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé!”

Temos de viver pela fé no nosso Senhor Jesus Cristo. Hebreus 11:1 afirma que “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de factos que se não veem.”

Fé define-se por forte convicção e confiança de que o nosso Deus está no controle de tudo. Ter fé em Deus, é algo concreto que está baseado nos seus feitos passados, mas também nas suas promessas futuras. Feitos e promessas que estavam bem presentes na mente de Habacuque. E de que igual forma tem de estar presentes nas nossas mentes também.

Ter fé no momento que o povo de Deus estava prestes a passar era estar com plena confiança e declarar “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente.”

Ter fé hoje é fazer nossas as palavras do profeta Habacuque, e declarar que a nossa confiança em Deus não depende das circunstâncias, porque essas vão e vêm, mas o nosso Deus permanece eternamente.


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