Publicado por: absesimbra | 22 de Dezembro de 2019

Pregação Mateus 7:13-20

Continuamos e estamos a chegar ao fim do estudo do sermão do monte. Vamos continuar a ler Mateus 7 agora desde o verso 13 até ao 20 e para a semana terminamos com os versos 21 a 29.

LER Mateus 7:13-20

Versos 13 e 14

Porta estreita – caminho estreito – vida

João 10:7-9 (LER) Jesus é a porta.

Para a vida eterna com Deus.

João 14:5-6 (LER) Jesus é o caminho.

Porta larga – caminho largo – perdição (morte)

João 10:10 (LER) o Diabo vem para destruir

Para a vida eterna afastado de Deus (perdição eterna)

Efésios 6:12 (LER) os nossos inimigos são:

 

Na prática o próprio Jesus passou por situações em que teve de escolher entre o caminho estreito e o largo, nós vamos abordar duas (LER – Mateus 16:21-28) e (LER – Mateus 26:39) Porém as palavras de Jesus são, “Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres.” Estas têm de ser as nossas palavras diariamente face a qualquer decisão com que nos deparamos.

Mas sabemos que a mensagem do evangelho de nos arrependermos e de morrermos para nós mesmos não é uma mensagem popular. Melhor é prometer sucesso, vida farta, dinheiro, saúde, ausência de sofrimento, etc…, mas não podemos pôr em causa a vida eterna por causa das decisões que tomamos em 80 ou 90 anos cá na terra.

Verso 15 – Jesus pede-nos a nós os seus discípulos verdadeiros para tomarmos cuidado e atenção aos falsos profetas que aparentemente parece estarem a pregar o caminho estreito, mas na verdade têm o mesmo objetivo que o descrito em João 10:10 da parte de Satanás aqui comparados a “roubadores”. Tentam afastar os santos, os discípulos de Jesus da mesma forma que fizeram com o próprio Jesus tentando-O afastar-se da cruz e do sacrifício que viria a salvar toda a humanidade.

Versos 16-20 – Como nós podemos descobrir esses lobos em pele de ovelhas?

Há uma frase do poeta António Aleixo que diz o seguinte:

“Falas bem gosto de te ouvir; e a tua voz ecoas. É pena não usares a moral que apregoas!”

Ora é exatamente isto eu Jesus afirma nestes versículos. O verso 20 é claro naquilo que é a forma como nós podemos verificar se o mestre é falso ou verdadeiro. E o que a Bíblia entende por fruto? LER Gálatas 5:16-26

Concluindo cada cristão deve buscar o fruto do Espírito, deve ser algo que devemos cada vez mais ter ao longo da nossa caminhada com Cristo. (dar a ideia de progressão) E cada cristão deve observar isso também nos seus líderes. Não julgando, mas ajudando-nos uns aos outros para que cada um possa ser mais como Cristo nesta caminhada no caminho estreito. Sempre com a ajuda do E. Santo – João 14:26

Publicado por: absesimbra | 15 de Dezembro de 2019

Pregação Mateus 7:1-12

Chegámos ao último capítulo do relato do sermão do monte. Mateus 7 consiste de um grupo de parágrafos aparentemente isolados. Quando lemos parece-nos que existe um discurso nada fluído logo elo existente entre eles não é óbvio, mas chegamos à conclusão que o fio de ligação que corre por todo o capítulo, embora de maneira solta, é o dos relaciona­mentos. Jesus afirma que os relacionamentos são de extrema importância para todos os que querem ser seus discipulos. Poderia parecer bastante lógico que, tendo descrito o caráter, a influência, a justiça, a piedade e a ambição do cristão, Jesus se concentrasse finalmente nos seus relacionamentos, pois o sermão do monte trazendo uma contracultura cristã não é algo individualista, mas comuni­tário, comuidade igreja local diga-se, e os relacionamentos dentro da comunidade são de suma importância. Portanto, Mateus 7 dá-nos um registo da rede de relacionamentos aos quais, como dis­cípulos de Jesus, somos atraídos. Podem ser assim apresentados:

 

  1. (vs. 1-5). Para com o nosso irmão, em cujo olho percebemos um argueiro e a quem temos a responsabilidade de ajudar, não de julgar;
  2. (v. 6). Para com um grupo espantosamente designado de “cães” e “porcos”. São pessoas, é verdade, mas a sua natureza semelhante à animal. São de tal espécie que somos instruídos a não partilhar as coisas Santas com elas;
  3. (vs. 7-11). Para com o nosso Pai celeste, do qual nos aproximamos em oração, confiantes de que ele não nos dará nada menos que “boas coisas”;
  4. (v. 12). Para com todos de maneira generalizada: a Regra Áurea deveria orientar a nossa atitude e o nosso comportamento para com eles;
  5. (vs. 13,14). Para com os nossos companheiros de viagem nesta pere­grinação pelo caminho estreito que é a vida cristã;
  6. (vs. 15-20). Para com os falsos profetas, que temos de reconhecer e dos quais devemos nos acautelar;
  7. (vs. 21-27). E para com Jesus, nosso Senhor, cujos ensinamentos temos de ouvir e obedecer;

 

Esta semana estudaremos os primeiros 4 e nas restante semanas os outros 3. Vamos então ler as primieras 4 secções e estudá-las em conjunto.

LER Mateus 7:1-5

Julgamento aqui não significa que nós não podemos chamar atenção do nosso irmão em Cristo numa determinada ação ou vertente de carácter em que exista uma falha, aliás na Bíblia temos orientações para que o possamos fazer de forma a crescermos juntos rumo à estatura do Mestre. Ideias como as descritas em Provérbios 27:17 “Como o ferro com o ferro de afia assim o homem ao seu amigo.” e em Lucas 17:3 nas palavras de Jesus que afirma “Se o teu irmão pecar contra ti, repreende-o e perdoa-lhe.” Entre outras dão-nos o claro ensino que viver em comunidade não é poder fazer tudo o que se quer sem que ninguém diga nada, ou seja uma vida de libertinagem porque ninguém me poderá julgar.

Está claro que o tema da correção fraterna é importante na Bíblia. Ela insinua que ninguém pode viver em comunidade e deixar que coexista o pecado. Porém o intuito último é preservar a unidade da comunidade e afastar o pecado – só em casos extremos afastar o pecador. Este conceito já é presente no Antigo Testamento. Em Levítico 19:17 lemos: “Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado.”

O que poderá então significar esta palavra de Jesus aqui em Mateus 7, não julgar…?

Nós podemos ter a resposta a esta pergunta analisando alguns textos do Novo testamento.
Gálatas 6:1 “IRMÃOS, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.”

Ou seja, a nossa postura diante do erro do nosso irmão não é de censura (ou seja, julgamento) mas sim de ajuda mútua para que ele possa crescer nessa área da sua vida. Jamais poderemos ter uma atitude de julgamento mostrando uma espécie de superioridade diante das fraquezas do nosso irmão em Cristo. O Amor deve prevalecer e na prática do amor um acompanhamento genuinamente interessado na recuperação do nosso irmão.

Jesus conta uma pequena ilustração sobre a trave no nosso olho e o argueiro do olho do nosso irmão, para ilustrar esta postura de hipocrisia quando vivemos focados nos erros dos outros e com isso passamos despercebidos para com os nossos próprios erros. Todos nós erramos e a nossa postura para com o erro do nosso irmão, não deve ser de irresponsabilidade afirmando que não podemos julgar, mas sim de responsabilidade e em humildade ajuda-lo a crescer sempre levando à prática o texto de I Coríntios 10:13-14Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. 13Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.”

Mais uma vez Jesus afirma que a hipocrisia não deve fazer parte do carácter de um discípulo de Cristo. Se no capítulo 6 a hipocrisia era referente à nossa religiosidade aqui refere-se aos nossos relacionamentos. E é tão fácil sermos hipócritas nos nossos relacionamentos, focando mais o erro do outro do que aquilo que efetivamente precisamos de mudar na nossa vida.

Porém o verso de Mateus 7:6 mostra-nos uma outra vertente que também temos de observar.

Ler Mateus 7:6

Para nos ajudar a entender o que Jesus poderá estar a dizer neste versículo, temos de olhar para o contexto dos versos anteriores e analisar mais alguns textos bíblicos que também poderão facilitar essa interpretação. Pelo restante ensino de Jesus, seja o que vem antes de não julgarmos os nossos irmãos, mas termos paciência no processo de tratamento do erro dele, e também textos como a grande comissão de levar o evangelho a toda a criatura, jamais poderemos interpretar este texto como algo que Jesus diz para desistirmos das pessoas. Deus não desiste de nós e está sempre pronto para mediante o nosso arrependimento nos aceitar de volta e recomeçar. Deus é um Deus de recomeços e que nos perdoa, por isso devemos nós também à semelhança do nosso Pai do céu sermos “recomeçadores” e perdoadores de relacionamentos. Mas como disse “mediante o nosso arrependimento”, ou seja, há algo que Deus quer da nossa parte para esse recomeço e esse perdão, o nosso arrependimento.

Se analisarmos por exemplo Romanos 16:17 e I Coríntios 5:11-13 (LER)

Percebemos aqui que cães e porcos são todos os que têm estas características descritas nestes dois exemplos de passagens da Bíblia.

Ou seja, a nossa postura como corpo de Cristo não deve ser de estar numa passividade perante o pecado constante e a falta de arrependimento de um supostamente irmão (digo supostamente porque se a pessoa tem este tipo de comportamento deverá converter-se primeiro, logo aí como não entendeu o evangelho e não é salva não é irmão) mas sim depois de termos feito tudo e lhe darmos constantes oportunidades de mudança e termos oferecido ajuda para mudar, este individuo continua num comportamento que denigre Deus e a Sua igreja. Por isso deve ser convidado a sair do nosso meio.

É sempre complicado um processo destes por isso deve ser feito com muita calma e ponderação, com muita sabedoria e seguindo os tramites do texto de Mateus 18:15-17 “Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão. Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas. Caso não lhes der ouvido, dizei-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano.”

Ou seja, existe uma série de ações num processo onde deve prevalecer o amor e como principal objetivo a restauração da pessoa. Mas devemos ter um sentido de proteção para com a comunidade. Os que se comportam para com as coisas espirituais como cães e porcos não devem ter espaço entre nós para destruir aquilo que é a nossa comunidade.

Continuando o texto de LER Mateus 7:7-11

Parece que a passagem de uma prte do texto para esta em nada se relaciona com a parte seguinte, mas é natural que Jesus tenha passado de nosso relacionamento com os homens para nosso relacionamento com o nosso Pai celeste, principalmente porque o nosso dever cristão para com eles (não julgá-los, não lançar pérolas aos porcos e ser prestativos sem ser hipócritas) é por demais difícil sem a graça divina, e existem situações com pessoas desagradáveis que se comportam como cães e porcos que somente através da oração conseguimos ultrapassar. Não devemos desistir para que Deus possa mudar o coração dessas pessoas.

 

Esta passagem não é a primeira instrução sobre a oração, no Sermão do Monte. Jesus já nos advertiu contra a hipocrisia dos fariseus e o formalismo dos pagãos, e nos deu o seu próprio mo­delo de oração. Falámos da oração do Pai Nosso e o ensinamento que podemos retirar dessa oração para a nossa vida de oração. E aqui Jesus diz-nos claramente que Deus ouve as nossas orações e mais, Ele responde.

 

Pedir, procurar e bater, tudo indícios que devemos persistir e perseverar na oração, porque Deus como Bom Pai que é vai conceder os desejos do nosso coração. Mas, e aqui reforço o “MAS” e abordando a pregação da semana passada, é importante que o nosso coração esteja em sintonia com o coração de Deus, buscando tesouros no céu e não as coisas terrenas. Se o nosso coração estiver em sintonia com o coração de Deus, Ele é um Bom Pai e vai conceder a nossa vontade mas nunca contradizendo a Sua soberana vontade.

 

Um livro que estou a ler sobre o sermão do monte diz o seguinte:

“Primeiro, oração pressupõe conhecimento. Considerando que Deus só concede dádivas de acordo com a sua vontade, temos de esmerar-nos em descobri-la — pela meditação nas Escrituras e pelo exer­cício da mente cristã disciplinada nessa meditação. Segundo, oração pressupõe fé. Uma coisa é conhecer a vontade de Deus; outra é nos humilharmos diante dele e expressarmos a nossa confiança em que ele é capaz de executar a sua vontade. Terceiro, oração pressupõe desejo. Podemos conhecer a vontade de Deus e crer que ele pode executá-la, e ainda assim não desejá-la. A oração é o principal meio ordenado por Deus para a expres­são de nossos mais profundos desejos. E por isso que a ordem de “pedir — buscar — bater” está no imperativo presente e em escala ascendente, para desafio de nossa perseverança.

Assim, antes de pedir, precisamos saber o que pedir e se está de acordo com a vontade de Deus; temos de crer que Deus pode concedê-lo; e precisamos genuinamente desejar recebê-lo. Então, as graciosas promessas de Jesus se realizarão.”

Perseverar em oração sabendo que se pedimos de acordo com a vomntade de Deus, Ele vai responder.

 

LER Mateus 7:12

Este último verso que estudamos hoje, foca o relacionamento com o próximo e Jesus cita por outras palavras o segundo mandamento mais importante da Lei, se o primeiro é amar a Deus de todo o nosso coração, o segundo é amar o próximo como a nós mesmos. E Jesus aqui afirma mesmo isso que aquilo que nós gostamos que nos façam isso também devemos fazer aos outros, ou citando na negativa, não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti. Algo que está bastante atual.

Conclusão: Portanto, em Mateus 7:1-12, Jesus apresentou-nos os relaciona­mentos básicos. No centro está nosso Pai celeste, Deus, do qual nos aproximamos, de quem dependemos e que nunca dá a seus fi­lhos outra coisa que não sejam boas dádivas. Logo a seguir, vêm os nossos companheiros de crença. E a anomalia de um espírito de condenação (que julga) e de um espírito hipócrita (que vê o cisco apesar da trave), e que é incompatível com a fraternidade cristã. Se os nossos companheiros cristãos são verdadeiramente nos­sos irmãos e irmãs no Senhor, é inconcebível que não estejamos in­teressados em ter atitudes construtivas para com eles.

Quanto àqueles que estão fora da família, há o caso extremo dos “cães” e “porcos”, mas não são típicos nem sequer a maioria. Há um grupo excep­cional de pessoas obstinadas que se comportam como “cães” e “porcos”, poderíamos dizer, em sua rejeição decisiva de Jesus Cristo. E em relação a elas relutantemente temos de abandoná-las. Mas, se o versí­culo 6 é uma exceção, o versículo 12 é uma regra, a Regra Áurea. Ela transforma as nossas atitudes. Se nos colocarmos sensitiva­mente no lugar de outra pessoa, desejando-lhe o que gostaríamos para nós mesmos, jamais seremos maus, porém sempre gene­rosos; jamais seremos rudes, mas sempre compreensivos; jamais seremos cruéis, mas sempre bondosos.

Façamos uma avaliação dos nossos relacionamentos e tentemos perceber se estamos a ser discipulos de Cristo ou seguidores das trevas?

Publicado por: absesimbra | 5 de Dezembro de 2019

Pregação Mateus 6:19-34

Continuação do sermão do monte. Estudámos melhor a oração do “Pai nosso” na terça-feira na reunião de oração e foi uma bênção. Hoje vamos continuar com o restante capítulo 6 vamos ler Mateus 6:19-34 (LER)

Exposição dos versos 19 a 21

Tesouros na terra – tudo o que nos tira o foco do reino de Deus. Não só bens materiais, mas também filhos, família, carreira profissional, etc… E os bens terrenos e materiais.

Tesouros no céu – tudo o que nos ajuda a estar focados no reino de Deus. Oração, evangelização, igreja, palavra de Deus, etc… ganhar almas/pessoas para Cristo.

Existe aqui uma tensão na vida do discípulo de Cristo entre a realidade material e a realidade espiritual. Uma realidade o discípulo apreende com os seus sentidos, a outra entra no campo da fé, logo é de mais difícil perceção. Muitas pessoas vacilam aqui neste ponto porque não têm tanta facilidade em apreender a realidade espiritual quanto a realidade física/material.

Há uma relação direta entre aquilo que consideramos tesouro e o nosso coração.

Importa definir tesouro (algo precioso a que damos importância – confrontar com Mateus 13:44) ou seja nesta pequena parábola vemos que o personagem vendeu todos os bens materiais terrenos para ganhar o tesouro do reino de Deus. Se fosse preciso estaria disposto a vender ou a doar todos os seus bens para seguir Cristo? Para ganhar almas? Exemplo de missionários que saem do conforto do seu país para irem enfrentar perseguição por amor aos perdidos.

Na relação com Cristo, coração é o centro de decisões do homem, em Jeremias 29:13 Deus afirma que nós podemos achá-lo quando o buscarmos de todo o nosso coração. O mandamento mais importante que Jesus nos deixa é amar a Deus de todo o nosso coração. Quando aceitamos Cristo como nosso Senhor e Salvador afirmamos que o “aceitamos no coração”, ou seja, tomámos essa decisão interiormente. Mas infelizmente o coração do homem é enganoso (ver Jeremias 17:9-10) e por isso há esta tensão entre as riquezas do reino de Deus e as riquezas desta terra.

Uma boa forma de avaliarmos a nossa decisão de ser discípulo de Jesus é avaliar onde está o foco do nosso coração? Quem reina no nosso coração?

Exposição dos versos 22 a 23

A Bíblia em Tiago 1:13-16 afirma que o pecado surge pela cobiça, e como surge a cobiça? Através do olhar. Olhar, reparar o que os tesouros na terra que o meu próximo tem, e com isso comparar e ficar com inveja desejando esses tesouros para mim também. O próximo passo é tomar medidas para ter isso também, e assim a nossa vida vai ficando dominada e focada nos tesouros desta terra.

A Bíblia conta que Job (Job 31:1) teve de fazer um pacto com os seus olhos para não cair na tentação com o sexo oposto, alguns de nós têm de fazer a mesma oração de Job, de fazer um pacto com os nossos olhos para não cairmos da tentação de cobiçar o que os outros têm e com isso dar à luz o pecado que nos afasta de Deus.

Exposição do verso 24

Jesus sabe que um verdadeiro rival no senhorio do coração dos seus discípulos iriam ser as riquezas desta terra. Algumas traduções dizem “Mamom” que significa dinheiro.

Não podemos andar indefinidos na caminhada com Cristo, aliás em Apocalipse 3:15-16 afirma que no ser discípulo de Jesus não há meio-termo, ou seja, não há o ser morno, ou se é ou se não é. Jesus numa outra ocasião afirma “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.” (Lucas 11:23).

Então este assunto é muito sério e nós até que podemos tentar seguir Jesus, mas somente o vamos conseguir a 100% quando nos desprendermos das riquezas desta terra. Então tem dificuldade em contribuir financeiramente para a igreja? Para ajudar o próximo? Para apoiar os necessitados? Em doar dinheiro para missões? Para ajudar a igreja perseguida? Talvez esteja muito apegado ás riquezas desta terra e não às riquezas do céu.

Exposição dos versos 25 a 34

Deus conhece as nossas necessidades, por vezes o nosso problema é que confundimos necessidade com supérfluo, e por vezes a luta no nosso dia-a-dia pelo supérfluo causa-nos ansiedade. As aves dos céus vivem apenas para terem o essencial e Deus cuida delas, também cuidará dos seus discípulos. Jesus afirma que a ansiedade não acrescenta nada de positivo à nossa vida. Côvado era uma medida usada no tempo de Jesus que media sensivelmente 45 cm. O mesmo exemplo dado para as aves do céu em relação à comida e à bebida, é dado em relação à roupa, mas com os lírios, no fundo erva, que hoje existe e amanhã é queimada quanto mais cuidará dos seus discípulos? Todos nós de uma forma geral sabemos quem foi Salomão, mas se formos até I Reis 10:14-29 ler uma descrição daquilo que ele possuía, podemos ver efetivamente aquilo que Jesus dá como exemplo.

Um discípulo de Cristo não deve ceder diante as modas do mundo caindo num consumismo tendo como primeira regra o “ter”.

Um outro aspeto interessante é vermos a quantidade de paralelos que existe entre estas palavras de Jesus e a oração do Pai nosso. No verso 7 Jesus foca os gentios, os pagãos que não tinha Deus como Deus, e no verso 32 Jesus volta a focar esse mesmo grupo de pessoas. Os gentios procuram essas mesmas coisas porque não têm um deus que cuida deles, nós, porém os discípulos de Cristo temos um Deus diferente dos pagãos, que cuida de nós, que se preocupa connosco.

O nosso Deus no verso 9 na oração do Pai nosso é descrito como sendo o Deus que estás nos céus, sendo que esta expressão significa que Deus está noutro patamar, Ele não é um pai terreno, um pai terreno falha, mas o nosso Deus Pai que estás nos céus, que está acima, que é mais poderoso que é perfeito e Santo, Ele jamais falhará, no verso 32 está lá a mesma expressão “Pai Celestial…” Sabe que nós precisamos delas.

Mais um paralelo é quando na oração do Pai Nosso está a expressão “O pão de cada dia dá-nos hoje”, nada melhor do que o verso 34 para compreender esta ideia, de que Deus cuida de nós um dia de cada vez, logo Ele pede-nos para vivermos um dia de cada vez, “Portanto não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” Isso tem implicações diretas na nossa vida, uma delas é que Deus cuida de nós no presente, por isso não vale a pena nós nos preocuparmos ou termos ansiedade por causa do futuro, tentar viver no presente as preocupações do futuro é entrar em desespero e acabamos por ficar stressados e com isso diminuir em muito a nossa qualidade de vida.

Jesus já estava a usar algo que a psicologia afirma ser uma espécie de cura para a ansiedade, “viver um dia de cada vez, viver um problema de cada vez” e Deus cuidará.

Concluindo, Jesus sabia e sabe porque ainda hoje é assim, que um dos grandes desafios da vida dos seus discípulos iam ser a atração às riquezas deste mundo. Jesus sabia isso porque Ele como nosso Sumo-sacerdote também foi tentado pelo próprio Satanás nessa área (Ler Hebreus 4:15 e ver isso na prática em Mateus 4:8-9).

Mas Jesus promete que se o colocarmos a Ele e as coisas concernentes ao Seu Reino em primeiro lugar que nada do que necessitamos, e aqui sublinho necessitamos, nos vai faltar para viver.

Convém-nos refletir sobre o que desejamos mais? A presença de Deus ou as riquezas deste mundo? Uma coisa ou outra não existem meios termos, lembremo-nos da mornidão e da consequência para essa mornidão. Quer saber se é discípulo verdadeiro de Cristo? Coloque sempre o Reino de Deus em primeiro lugar independentemente das consequências ser discípulo de Cristo é estar pronto para assumir essas consequências, assumir as consequências da obediência a Cristo sabendo que Deus vai honrar quem o honra a Ele.

Publicado por: absesimbra | 29 de Novembro de 2019

Pregação AB SSB – Mateus 6:1-18

Voltamos novamente ao estudo do sermão do monte, vamos ler Mateus 6:1-18 (LER)

Jesus continua o seu discurso. E se analisarmos bem existe um grupo de pessoas a quem Jesus se dirige em comparação negativa… “Não sejais como os hipócritas”

Um hipócrita é um mentiroso pois tenta passar algo que não corresponde á realidade interior. Jesus passa a focar a vida com Ele no secreto. Se no discurso do sermão do monte logo no início, Jesus afirma para mostrarmos a nossa “luz”, ou seja, darmos nas vistas pelo bem, aqui Jesus valoriza o secreto.

No secreto é tão mais difícil ser-se algo que na verdade não somos. Ou seja, é na intimidade que verdadeiramente somos aquilo que somos. A vida cristã é essencialmente interior, que depois se manifesta no exterior.

Vários textos bíblicos falam em guardar a lei do Senhor no coração. O Salmo 119:11 diz que o salmista guardou a palavra de Deus no coração para não pecar contra Deus, assim deduzimos que uma boa forma de lutar contra o pecado não é uma luta exterior mas sim interior que depois tem repercursões no extrior comportametal. Significa isto que seguir a Jesus é essencialmente de dentro para fora e não algo que é imposto pelo exterior. A religião é algo exterior, enquanto que um relacionamento é interior. Mais tarde ou mais cedo o comportamento se for imposto pelo exterior vai terminar, agora se vier de dentro para fora vai perdurar no tempo.

 

Jesus foca aqui alguns comportamentos exteriores do nosso relacionamento com Deus, que eram práticas religiosas judaicas:

– dar esmolas (ajudar os necessitados);

– orar (falar com Deus);

– jejum (uma disciplina que mostra a nossa total dependência de Deus).

 

Todas estas eram práticas religiosas judaicas. Jesus ao focar estas áreas ele fala para os religiosos, e cita os hipócritas. Isso significa que os maiores hipócritas eram aqueles que lideravam os povo nas questões religiosas. Todas estas áreas podem enganar os homens mas jamais enganar a Deus. Isto pode significar que as pessoas da igreja, os crentes são os que mais cuidado têm de ter com a hipocrisia, com o viver algo que não são.

 

Mas se foi a nossa cobardia humana que levou Jesus a dizer: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens”, e a nossa vaidade humana que fez Jesus dizer que tomás­semos o cuidado de não praticar nossa piedade diante dos ho­mens.

Vaidade e hipocrisia, orgulho e altivez, está tudo relacionado.

As nossas boas obras devem ser pú­blicas para que a nossa luz brilhe; nossa devoção a Deus deve ser secreta para não nos vangloriarmos dela. Além disso, a fina­lidade de ambas as instruções de Jesus é a mesma, isto é, a glória de Deus.

Quando começamos a assumir responsabilidades e a sermos bem-sucedidos, os homens começam a reparar em nós. E as posições de liderança começam a surgir de uma forma natural. Até porque a maioria das pessoas não se quer dar ao trabalho de ajudar. Alguém que assume ser sal e luz e está pronto a ajudar, isso é valorizado. Mas quando começamos a receber a aprovação dos homens podemos ser contaminados pelo orgulho.

O orgulho é algo que Deus não aprova, aliás em Tiago 4:6 afirma que Deus resiste aos soberbos (orgulhosos) porém age em favor dos humildes. A humildade é uma caraterística apreciada por Deus.

E nesse sentido o risco de contaminação pelo orgulho começa a aumentar. A contaminação maior é a corrupção. Por em causa os princípios de Cristo que agora são seus, por causa do proveito que se pode ganhar para a satisfação dos seus desejos carnais. Ou seja, passa por momentos a sermos nós próprios o senhor da nossa vida ao invés de ser Jesus o Senhor da nossa vida.

Jesus fala do exercer a justiça diante dos homens, com o fim de ganhar protagonismo.

Jesus fala do contribuir com os nossos recursos não com o fim de ajudar simplesmente, mas para dar nas vistas diante dos homens e ganhar a sua aprovação, ou dar à espera de receber.

Jesus fala na questão de orarmos com o objetivo de mostrar aos homens a nossa intimidade com Deus e com isso ficar bem na fotografia e mostrar que somos espirituais.

E Jesus fala do jejum novamente como o exercitar uma disciplina espiritual, mas com o propósito de mostrar aos outros o quão somos espirituais e não somente porque é entre mim e Deus, vivido na intimidade, algo que exercito para aumentar a minha dependência de Deus.

No fundo Jesus fala de um estado em que é muito fácil de permanecer diante de Deus e dos homens que é a Hipocrisia. Não façam como os hipócritas. Um discípulo de Jesus deve ser verdadeiro e não falso.

Sem fingimento, viver algo exteriormente que não se vive interiormente. Mateus 23:28

O objetivo do discípulo de Jesus é na sua vida agradar a Deus e não agradar os homens.

Mas parece haver aqui uma certa contradição, porque Jesus afirma que a nossa luz deve brilhar diante dos homens, mas agora diz que a nossa espiritualidade deve ser vivida no secreto. A diferença é a quem nós queremos dar Glória? No final do verso 16 do cap. 5 Jesus diz que os homens olhando para o nosso estilo de vida baseado no seguir a Jesus, estes devem dar glória a Deus, e não dar glória a nós próprios.

Jesus promove uma santidade de coração e não somente aquela que é exterior e que pode enganar os homens, mas jamais enganará Deus.

A seguir à hipocrisia e á aprovação dos homens vem o orgulho de sermos elogiados e aprovados pelos homens. Não há mal nenhum em ser elogiado e aprovado pelos homens, aliás é o que Paulo motiva a Timóteo para ele se apresentar como que aprovado diante de Deus e dos homens, e isso é bom, o problema está quando isso nos sobe á cabeça e começamos a nos glorificar mais a nós próprios do que a Deus.

Na verdade, tudo o que somos e possuímos devemos a Deus e a nossa postura deve ser em gratidão canalizar o elogio para Ele.

Temos de vigiar porque a nossa motivação de sermos sal e luz pode passar a ser a aprovação dos homens e não a nossa identidade em Cristo. Com isso depois passamos apenas a sê-lo ou melhor a fazer coisas relacionadas com isso somente quando há alguém a controlar ou a ver, e não por estilo de vida comprometido com o facto de sermos seguidores de Cristo.

A oração do Pai nosso que está incluída nesta secção é uma oração modelo que vê Deus como Pai e não como algum génio da lâmpada que está cá para satisfazer os nossos desejos. Isto porque a oração pode facilmente se tornar antropocêntrica e não Cristo Centrica como deve ser, buscando a vontade de Deus.

Na terça-feira vamos estudar melhor esta oração, e orar com base nela, por isso não deixem de ir à reunião de oração.

Queria voltar ao Jejum e explicar um projeto que como igreja vamos ter a partir do próximo domingo. 50 dias de Jejum e oração…

Pode ser jejum de comida este é o mais falado, mas pode ser jejum de várias áreas tais como TV, computador, novela, séries, redes sociais, imagine uma coisa que acha que não consegue passar um dia sem fazer? Faça uma abstinência disso mesmo, e dedique tempo à oração no tempo que ia gastar ao fazer isso. Mas não faça disso algo para se orgulhar, mas sim em humildade chegar à conclusão que tem de depender de Deus para que Ele o ajude a ultrapassar esse desafio. Orar pelo quê? Por 5 pessoas que quer falar de Jesus Cristo e do Evangelho, e convidar para a festa de natal do dia 22 de dezembro.

(Distribuir os papéis)

Publicado por: absesimbra | 28 de Novembro de 2019

Pregação Mateus 5:17-20 A Lei de Deus firmada no coração

Estamos então a estudar o sermão do monte e até aqui, Jesus fala sobre o caráter do cristão e sobre a influ­ência que este teria no mundo, caso manifestasse tal caráter, produzindo, assim, o fruto de “boas obras”.

A partir de agora, Jesus pros­segue definindo melhor este caráter e estas boas obras em termos de justiça. Ele explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os seus discípulos têm fome (v. 6) e por cuja causa eles sofrem (v, 10), é uma correspondência à lei moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v. 20). As “boas obras” são obras da obediência. Ele começou o seu Sermão com as bem-aventuranças na terceira pessoa (“Bem-aventurados os humildes de espírito”); continuou na segunda pessoa (“Vós sois o sal da terra”); e, agora, muda para a primeira pessoa, usando, pela primeira vez, sua fórmula característica e dogmática: Por­que . . . (eu) vos digo (vs. 18 e 20).

Este pequeno excerto do sermão do monte divide-se em duas partes: versos 17 e 18 Cristo e a Lei, os versos 19 e 20 o Cristão e a Lei

Quando Jesus afirma que vem cumprir a lei de Deus, o verbo traduzido por “cumprir” (plërösai) no grego, significa literal­mente “encher” e indica, que “as palavras de Jesus, não eram uma anulação das pri­meiras dadas por Moisés e pelos profetas, mas uma exposição e o cumprimento delas.”

Basta enfatizar que, de acordo com este versículo (v. 17), a ati­tude de Jesus para com o Velho Testamento não foi de des­truição e descontinuidade mas, antes, de continuidade cons­trutiva, orgânica. Ele resumiu sua posição numa simples palavra: não “abolição”, mas “cumprimento”.

Então se Jesus veio cumprir com a Lei de Deus qual deverá ser a nossa postura mediante a Lei de Deus? Devemos cumpri-la.

Mas no verso 19 Jesus afirma que a obediência pessoal à Lei de Deus não basta; o discípulo cristão verdadeiro deve também ensinar aos outros a natureza permanentemente e obrigatória dos manda­mentos da lei.

Com essa prática a justiça do cristão ultrapassa de longe a justiça dos fariseus, em espécie mais do que em grau. Poderíamos dizer que não é uma questão de os cristãos conseguirem obedecer a 248 mandamentos enquanto os melhores fariseus só conseguiram fazer 230 pontos. Não. A justiça do cristão é maior do que a justiça dos fariseus porque é mais profunda, porque é uma jus­tiça do coração.

E esse sempre foi o foco de Deus. Enquanto os fariseus contentavam-se com uma obediência externa e formal, uma conformidade rígida à letra da lei; Jesus ensina-nos que as exigências de Deus são muito mais radicais do que isto. A justiça que lhe agrada é uma justiça interna, de mente e de motivação, pois “o Senhor (vê) o coração”

É isso que lemos em:

Jeremias 31:33

“A nova aliança que nessa altura farei com o povo de Israel será assim: vou gravar a minha lei dentro deles, vou escrevê-la nos seus corações. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Palavra do Senhor!”

Ezequiel 36:27

“Vou pôr o meu espírito em vós e farei com que obedeçam fielmente às minhas leis e aos meus mandamentos que vos dei.”

Assim coincidem as duas promessas de Deus: de colocar a sua lei dentro de nós e de pôr em nós o seu Espírito. Não devemos imaginar (como alguns pensam hoje em dia) que, quando temos o Espírito, podemos dispensar a lei, pois o que o Espírito faz em nossos corações é exatamente escrever neles a lei de Deus. Portanto, “Espírito”, “lei”, “justiça” e “coração” todos se relacionam. Os fariseus pensavam que uma conformidade externa à lei seria uma justiça suficiente.

Portanto é esta obediência profunda, que ê a justiça do coração e que só é pos­sível naqueles em quem o Espírito Santo operou a regeneração e nos quais agora habita. É por isso que a entrada no reino de Deus é impossível sem uma justiça maior (isto é, mais profunda) do que a dos fariseus. É porque tal justiça é evidência do novo nascimento, e ninguém entra no reino sem ter nascido de novo.

 

Vamos ler o restante do capítulo 5. O restante de Mateus 5 contém exemplos desta justiça maior, ou, antes, mais profunda. Consiste de seis parágrafos paralelos, que ilustram o princípio que Jesus acabou de propor nos versí­culos 17 a 20, sobre a perpetuidade da lei moral, da sua vinda para cumpri-la e da responsabilidade dos discípulos em obedecê-la mais completamente do que os escribas e fariseus. E cada parágrafo contém um contraste ou uma “antítese”, introduzi­da pela mesma fórmula (com variações menores): Ouvistes que foi dito aos antigos . . . Eu, porém,   vos digo . . .   (21,  22). LER

 

Estas coisas que Jesus cita que foram ditas aos antigos eram distorções da lei, em momento nenhum na Bíblia está escrito por exemplo, para se odiar os inimigos (Mateus 5:43), ou seja deduz-se que era algo ensinado falsamente pelos líderes. Foram estas distorções da lei que Jesus rejeitou, não a lei propria­mente dita.

A conhecida atitude de Cristo para com o Velho Testamento no capítulo anterior em Mateus 4, Mateus apresentou a narra­tiva das tentações de Jesus durante quarenta dias no deserto. Cada tentação do diabo foi enfrentada com uma citação apropriada do Velho Testamento. Jesus não precisou discutir ou argumentar com o diabo. Cada questão foi resolvida cabalmente com uma simples menção do que estava escrito.

E esta reverente submissão da Palavra encar­nada à Palavra escrita continuou através de sua vida, não só no seu comportamento pessoal mas também na sua missão. Jesus estava decidido a cumprir o que estava escrito a respeito dele, e não podia ser removido do caminho que as Escrituras tinham traçado para ele.

Por isso, as declarações de Jesus em Mateus 5:17, dizendo que não viera abolir mas cumprir a lei e os profetas, são totalmente coerentes com a sua atitude para com as Escrituras em qualquer outra passagem bíblica.

 

Dos quatro fatores apresentados, fica evidente que as antíteses não colocam Cristo e Moisés em oposição um ao outro, nem o Velho Testamento oposto ao Novo, ou o Evangelho à lei; mas que a verdadeira interpretação que Cristo apresentou da lei é que se opõe às falsas interpretações dos escribas, e, consequente­mente, a justiça cristã é que se opõe à dos fariseus, como o versículo 19 afirma.

 

CITAÇÃO do LIVRO (LER): Os Fariseus achavam que a Tora era uma espécie de um jogo e de um fardo (na verdade, eles o chamavam assim), e desejavam tornar o jugo mais leve e o fardo menos pesado, mas modificando os preceitos de Deus. O modo como eles o faziam variava de acordo com a forma de cada lei, espe­cialmente se era um mandamento (preceito ou proibição) ou uma permissão. Quatro das seis antíteses encaixam-se na cate­goria de “mandamentos”, sendo as três primeiras negativas (proibindo o homicídio, o adultério e o falso juramento) e a última, positiva (prescrevendo o amor ao próximo).

Estas quatro são ordens explícitas de Deus para fazer ou deixar de fazer alguma coisa. As duas antíteses restantes (a quarta e a quinta) descrevem-se melhor como “permissões”. Não pertencem à mesma categoria de ordem moral das outras quatro. Ambas não têm as palavras imperativas. A quarta antítese é relativa ao divórcio, que jamais foi ordenado, mas sim permitido em determinadas circunstâncias e sob certas condições. A quinta refere-se à vingança (“Olho por olho . . .”), que era permitida nos tribunais e que se restringia ao equivalente exato das penali­dades que os juizes israelitas poderiam impor. Portanto, ambas as permissões ficavam circunscritas por limites definidos.

O que os escribas e fariseus estavam a fazer, a fim de tornar a obediência mais fácil de praticar, era restringir os manda­mentos e esticar as permissões da lei. Tornavam as exigências da lei menos exigentes e as permissões da lei mais permissivas. O que Jesus fez foi inverter as duas tendências. Insistiu que fos­sem aceitas todas as implicações dos mandamentos de Deus sem a imposição de quaisquer limites artificiais, enquanto que os limites que Deus estabelecera às suas permissões também deviam ser aceitos e não arbitrariamente ampliados.

Os escribas e fariseus estavam evidentemente restringindo as proibições bíblicas do homicídio e do adultério apenas ao ato; Jesus estendeu-as incluindo os pensamentos de cólera para com o outro, palavras insultuosas e olhares concupiscentes. Eles restringiam o man­damento sobre o juramento apenas a certos votos (envolvendo o nome divino), e o mandamento sobre o amor ao próximo ape­nas a certas pessoas (às da mesma raça e religião). Jesus disse que todas as promessas têm de ser cumpridas e todas as pessoas amadas, sem limitações.

 

Mas os escribas e fariseus não se contentavam simplesmente em restringir os mandamentos da lei para que se adaptassem às suas conveniências; procuravam atender às suas conveniências ainda mais, ampliando as permissões. Assim, tentavam ampliar a permissão do divórcio além do simples fundamento de “alguma indecência” para incluir qualquer capricho do marido, e alargar a permissão da vingança além dos tribunais para incluir a vin­gança pessoal. Jesus, entretanto, reafirmou as restrições ori­ginais.

 

Chamou o divórcio de “adultério”, se baseado em outros fundamentos, e insistiu nos relacionamentos pessoais com a renúncia de qualquer vingança.

 

Este exame preliminar das antíteses mostrou-nos que Jesus não contradisse a lei de Moisés. Pelo contrário, os fariseus é que o estavam a fazer. O que Jesus fez foi explicar o verdadeiro significado da lei moral, com todas as suas implicações. Ele ampliou os mandamentos que eles estavam a restrin­gir e restringiu as permissões que eles estavam a alargar.

Para ele, a lei de Moisés era a lei de Deus, cuja validade era permanente e cuja autoridade tinha de ser aceita. No Sermão do Monte, como Calvino já expressou corretamente, vemos Jesus não “como um novo legislador, mas como o fiel explanador da lei que já fora dada”. Os fariseus tinham “obscurecido” a lei; Jesus “restaurou-a em sua integridade.”

E neste assunto, nós os discípulos cristãos temos de seguir Cristo, e não o exemplo dos fariseus. Não temos liberdade de tentar rebaixar os padrões da lei para torná-la mais fácil de obedecer. Esse foi o erro dos fariseus, não pode ser o dos cristãos. A justiça cristã tem de exceder à justiça dos fariseus.

 

Mas na verdade por vezes fazemos isso, desvalorizamos a lei de Deus para que na nossa mente possamos desculpar as nossas más ações.

 

A Lei de Deus tem de estar firmada no nosso coração.

 

Publicado por: absesimbra | 23 de Novembro de 2019

Pregação sermão do monte Mateus 5:13-16 – SAL e LUZ

No sermão do monte Jesus usa algumas ilustrações para melhor fazer entender os seus ouvintes daquilo que Ele queria transmitir. E duas das ilustrações que Jesus usa é o Sal e a Luz.

Nos dias de hoje se queremos conservar um alimento como fazemos? Recorremos ao frigorífico. Mas esse eletrodoméstico apenas foi inventado no ano 1856. E se queremos acender uma luz o que fazemos? Mas a lâmpada somente foi inventada no ano 1879. Pois é nós temos a nossa vida facilitada nesse aspeto, nesse e em muitos outros.

Mas Jesus teria de ter utilizado ilustrações que os ouvintes naquela época soubessem o que Ele estava a falar. Nos tempos de Jesus, quando ele prega o sermão do monte (mais ou menos há 2000 anos atrás) a forma como se conservava a carne e o peixe era salgando-os. Nos dias de hoje ainda existem comunidades que salgam o peixe para o conservar. Em Sesimbra alguns mais idosos fazem ainda fazem isso, e no bacalhau ainda é usada esta técnica.

Função do SAL O sal era utilizado nos tempos antigos (e não tão antigos, dar o exemplo do peixe seco) para conservar os alimentos, isto porque não existiam frigoríficos e assim com o sal as populações conseguiam conservar por mais tempo a carne e o peixe.

O Sal usando o processo químico da Osmose retira a água do alimento conservando-o por mais tempo.

Nos tempos de Jesus apesar de não haver luz elétrica o conceito de trevas, e o que afasta as trevas, a Luz estava bem presente na vida das pessoas que ouviam Jesus. Ninguém que queria alumiar um local coloca a luz debaixo de uma mesa ou com algo a impedir que a luz faça a sua função. Na tua casa onde estão colocados os candeeiros? No teto? Porquê? Porque aí é que servem melhor o propósito para o qual forma criados.

Função da Luz Jesus utilizando a ilustração da luz, toca no mesmo ponto da ilustração anterior. A luz é o que afasta as trevas, existindo luz as trevas desaparecem, ou seja, a luz tem como propósito afastar tudo o que está em trevas, por trevas reconhece-se o mal. Este termo trevas muitas das vezes é usado na Bíblia para definir trevas. Assim aquilo que Jesus espera dos seus seguidores, é que estes tenham um estilo de vida afastados das trevas, ou melhor que combatam as trevas, que quando estes estejam presentes as trevas desapareçam.

Objetivo de Jesus ao usar essas ilustrações: Jesus usa duas ilustrações que se relacionam diretamente com o separar as propriedades más das boas. Conservar é uma palavra chave nesta passagem. A função do sal é conservar as propriedades boas da sociedade e a função da luz é conservar o estado de estar afastado das coisas más da sociedade. A palavra conservar está diretamente ligada a Santidade, que significa separado do mal, para servir Deus. Conservar-se santo diante de tanto pecado que nos pode trazer podridão espiritual. O mundo precisa de pessoas que se conservem em bem e que conservem o bem.

Santidade é o estado em que estamos a lutar constantemente contra o que é mau e o que nos pode contaminar com o mal. Ou seja, conservar o bem e afastar o mal. São duas ações.

Em termos práticos tu és Sal quando preservas qualidades que servem o bem nos diferentes contextos em que estás inserido. Por exemplo se alguém pratica o mal tu deves motivar essa pessoa a deixar de fazer o mal e a fazer o bem.

Exemplos de ser SAL e LUZ

Combater a mentira com a verdade; combater a corrupção com a honestidade; combater a maledicência falando o bem; combater a injustiça sendo justo; etc…

No que toca à luz, Jesus afirma que a esta deve ser colocada num alto, deve estar num local onde se vê, onde a sua ação as suas propriedades conseguem ser utilizadas da melhor forma, ou de forma mais eficaz. Isso significa que tu como discípulo de Cristo que és sal e luz neste mundo, deves estar ativo na tua sociedade, trazendo o teu bom exemplo como seguidor de Jesus ás várias áreas onde estás envolvido.

Como por exemplo deves assumir cargos de liderança para que quando poderes dar a tua opinião o fazeres trazendo luz ás trevas, e no que toca a ser sal deves conservar as propriedades boas de acordo com a Palavra de Deus. Estuda, esforça-te para no futuro poderes estar em cargos de influência nas tomadas de decisão importantes para a nossa sociedade.

Assume a tua responsabilidade de líder sendo sal e luz no meio das trevas. Começa nos contextos pequenos e Deus vai te colocar em contextos grandes. Olha o que Deus disse a Josué quando ele estava para assumir o cargo de liderança do povo de Israel: Josué 1:5-9. Tem ousadia em assumir em ser um influenciador, mas sempre para a Glória de Deus.

Tu como discipulo de Cristo (fazendo parte da igreja de Cristo) foste colocado no mundo com duplo papel: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar, o processo da corrupção social; e, como luz, para desfazer as trevas. O sal para nada serve se perder a sua salinidade; a luz torna-se inútil, se for escondida.

Os discí­pulos são “chamados a ser um purificador moral num mundo onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo ine­xistentes.”

 

A salinidade do cristão é o seu caráter conforme descrito nas bem-aventuranças, é discipulado cristão verdadeiro, visível em atos e palavras. Para ter eficácia, o cristão precisa conservar a sua semelhança com Cristo, assim como o sal deve preservar a sua salinidade. Se os cristãos forem assimilados pelos não-cristãos, deixando-se contaminar pelas impurezas do mundo, perderão a sua capacidade de influen­ciar. A influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade.

 

Jesus esclarece que essa luz são as nossas “boas obras”. Que os homens vejam as vossas boas obras, disse, e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus, pois é através dessas boas obras que a nossa luz tem de brilhar. Parece que “boas obras” é uma ex­pressão generalizada, que abrange tudo o que o cristão diz e faz porque é cristão, toda e qualquer manifestação externa e visível de sua fé cristã. Considerando que a luz é um símbolo bíblico comum da verdade, a luz do cristão deve certamente incluir o seu testemunho verbal. Assim, a profecia do Velho Testamento de que o Servo de Deus seria uma “luz para os gentios”, cumpriu-se não só no próprio Cristo, a luz do mundo, mas também nos cristãos que dão testemunho de Cristo.

A evangelização deve ser considerada como uma das “boas obras” pelas quais a nossa luz brilha e o nosso Pai é glorificado.

 

Na verdade, o significado primário de “obras” tem de ser atos práticos e visí­veis gerados pela compaixão.

Quando os homens vêem tais obras, disse Jesus, glorificam a Deus, pois elas encarnam as boas novas do seu amor que nós proclamamos. Sem elas, o nosso evangelho perde a sua credibilidade, e Deus, a sua honra.

 

Isto é, na qualidade de discípulos de Jesus, não devemos es­conder a verdade que conhecemos ou a verdade do que somos. Não devemos fingir que somos diferentes, mas devemos desejar que o nosso Cristianismo seja visível a todos. “Refugiar-se no invisível é uma negação do chamado. Uma comunidade de Jesus que procura esconder-se deixou de segui-lo.”  Antes, nós de­vemos ser cristãos autênticos, vivendo abertamente a vida des­crita nas bem-aventuranças, sem nos envergonhar de Cristo. Então as pessoas nos verão, e verão as nossas boas obras e, assim, glorificarão a Deus, pois reconhecerão inevitavelmente que é pela graça de Deus que somos assim, que a nossa luz é a luz dele, e que as nossas obras são obras dele feitas em nós e através de nós. Desse modo, louvarão a luz, e não a lâmpada que a trans­mite, glorificarão a nosso Pai que está nos céus, e não aos filhos que ele gerou e que têm traços da sua família. Até mesmo aqueles que nos injuriam não poderão deixar de glorificar a Deus por causa da própria justiça pela qual eles nos perseguem (vs. 10-12).

 

Tem de existir diferenças entre a igreja e o mundo, entre os cristãos e o mundo.

Não obstante, o tipo de serviço que cada um presta é dife­rente. Na verdade, seus efeitos são complementares. A função do sal é principalmente pela negativa: evitar a deterioração. A função da luz é pelo ponto de vista positivo: iluminar as trevas.

Assim, Jesus chama os seus discípulos para exercerem uma influência dupla na comunidade secular: uma influência nega­tiva, de impedir a sua deterioração, e uma influência positiva, de produzir a luz nas trevas. Pois impedir a propagação do mal é uma coisa; e promover a propagação da verdade, da beleza e da bondade é outra.

 

A importância de estar ligado a Cristo: Só brilhamos com luz se estivermos ligados à Luz do mundo que é Jesus. Jesus disse eu sou a Luz do mundo (João 8:12)

 

O verso 16 afirma que a nossa luz deve brilhar diante dos homens para que vejam a vossas boas obras, mas com que objetivo? Dar Glória a Deus,

Os que são nascidos de novo (entram pela porta estreita) e têm vida em Jesus Cristo (andam no caminho apertado) são influenciadores (sal, luz e cidade no monte) e agentes de criação da realidade que resulta da nova vida que Deus quer dar a quem crê em Jesus Cristo. Não são agentes ineficazes ou escondidos, que se sujeitam a ser alvos de outras influencias; não por serem melhores que os outros, mas por terem em si Deus – alguém que os outros não têm.

 

Publicado por: absesimbra | 14 de Outubro de 2019

Pregação Sermão do monte “As bem aventuranças”

Hoje vamos dar continuidade a expor o sermão do monte, e vamos entrar no sermão propriamente dito, ou seja, no conteúdo dado por Jesus ais seus discipulos. Relembro que este discurso de Jesus é dirigido aos seus discipulos e não há multidão.

Vamos ler Mateus 5:2-11. (LER)

A primeira coisa a salientar é entendermos que as bem-aventuranças descrevem o caráter equilibrado e diversi­ficado do povo cristão. Não existem oito grupos separados e distintos de discípulos, alguns dos quais são mansos, enquanto outros são misericordiosos e outros, ainda, chamados para supor­tarem perseguições. São, antes, oito qualidades do mesmo grupo de pessoas que, ao mesmo tempo, são mansas e misericordiosas, humildes de espírito e limpas de coração, choram e têm fome, são pacificadoras e perseguidas.

Para além disso, o grupo que exibe estas caracterísitcas não é um conjunto elitista, uma elite ou uma pequena aristocracia espiritual distante da maioria dos cristãos. Pelo contrário, as bem-aventuranças são especi­ficações dadas pelo próprio Cristo quanto ao que cada cristão deve ser. Todas estas qualidades devem caracterizar todos os seus discípulos. Da mesma forma que o fruto do Espírito, descrito por Paulo, deve amadurecer em todos os seus aspectos, no caráter de cada cristão, também as oito bem-aventuranças que Cristo menciona descrevem o ideal de Jesus para cada cidadão do reino de Deus. Ao contrário dos dons do Espírito, que Deus dis­tribui a diferentes membros do corpo de Cristo a fim de equipá-los para diferentes espécies de serviço, Deus no que toca a estas carcateristicas do sermão do monte está interessado em produzir todos estes aspectos em todos nós. Não podemos fugir à nossa responsabilidade de alcança-las todas.

Cada Discipulo de Jesus é elogiado na medida em que possui cada qualidade focada. Cada pessoa que possui a qualidade é declarada como sendo “bem-aventurada”. A palavra grega para “Bem-aventurado” é  makarios que significa “feliz”. Outra possível tradução que nos ajudará a entender o significado desta palavra é “abençoado”. Devemos ter cuidado ao traduzir a palavra makarios porque no português corrente o seu significado mas usual nos pode induzir a um erro sério relacionado com o termo “felicidade”. Temos de entender que existe um enorme fosso entre a definição de felicidade para o mundo e a definição de felicidade no reino de Deus. Jesus ao dar as bem-aventuranças não está a decla­rar que essas pessoas se sentirão “felizes” de acordo com os valores do mundo, mas lembrem-se que os discípulos de Cristo não são mais regidos pelos valores do mundo, mas sim pelos valores do reino de Deus, assim cada cristão deveria basear a sua vida na seguinte premissa “se Deus se sente feliz isso deveria-me fazer feliz” pois deveria ser nossa prioridade procurar a felicidade do nosso Senhor. Desde que aceitámos Cristo como nosso Senhor, que a nossa prioridade deve ser fazer Deus feliz, quando Deus está feliz nós devemos estar felizes, e alguém com estas características faz Deus feliz.

A felicidade do mundo em contrapartida é algo momentâneo e passageiro, muitas vezes na sua maioria baseada em algum sentimento egoísta. Enquanto que a felicidade vinda de Deus é eterna.

Várias outras passagens da Bíblia utilizam esta palavra “Makarios”…

Salmo 32:1-2 (o equivalente a “Makarios” no Antigo testamento é “Ashre”);

Romanos 4:6-8; João 20:29; Tiago 1:12; Apocalipse 22:7, 14.

Cada aspecto que Jesus quer ver no carácter dos seus discipulos é acompanhado de uma benção. Dádivas como o reino dos céus e a terra como herança; o consolo e a satisfação, a misericórdia, o ter a oportunidade de ver Deus, e o serem chamados filhos de Deus, estas são as suas recompensas. Sabemos que nos valores do mundo as recompensas que mais nos fascinariam seriam bens materiais, poder, influência, mas lembremo-nos que o nosso Salvador resistiu a essa tentação quando foi tentado por Satanás no deserto. Devemos colocar os nossos olhos na recompensa celestial que é grande e eterna.

Exatamente como as oito qualidades descrevem cada cristão (pelo menos em ideal), da mesma forma as oito bênçãos são concedidas a cada cristão. É verdade que a bênção especí­fica prometida em cada caso é apropriada à qualidade particular­mente mencionada. Ao mesmo tempo, é totalmente impossível herdar o reino dos céus sem herdar a terra, ser consolado, sem ser satisfeito ou ver a Deus, sem alcançar sua misericórdia e ser chamado seu filho. As oito qualidades juntas constituem as responsabilidades; e as oito bênçãos, os privilégios, a condição de cidadão do reino de Deus. Este é o significado do desfrutar do governo de Deus. Do alcançar a verdadeira felicidade.

No entanto temos de salientar que o homem pelo seu próprio esforço não consegue chegar a estas cartacteristicas e por sua vez a estas recompensas. Não é algo que o homem faça para merecer essa benção. Todo o Sermão realmente pressupõe uma aceitação do evangelho, uma experiência de conversão e de novo nascimento, e a habitação do Espírito Santo. O sermão descreve pessoas nascidas de novo, aquilo que os cristãos são (ou deveriam ser). Portanto, as bem-aventuranças apresentam bençãos que Deus concede (não como uma recompensa aos méritos, mas como um dom da graça) àqueles nos quais ele está desenvolvendo um caráter assim.

Vamos então entrar na especificação de cada bem aventurança e tentarmos perceber juntos om que significa cada uma delas.

3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Os que têm maior necessidade espiritual estão mais aptos para perceber essa necessidade e depender só de Deus e não da sua própria bondade ou boas ações. Algumas traduções falam em pobres de espírito. Uma pessoa pobre tem necessidades, por outro lado a rica confia mais nas suas posses do que na dependência de Deus. A materialmente rica pensa que não tem necessidade de Deus e que espiritualmente falando também pode depender das suas ações para ganhar algum favor de Deus ou então comprar os favores de Deus. Enquanto que a pobre depende inteiramente de Deus, sabe que na sua condição somente Deus a pode salvar.

4 Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

O contexto desta passagem indica que os que choram estão a fazê-lo por causa do pecado e do mal, especialmente os deles mesmos. E choram por causa do fracasso da humanidade em ter caído no pecado e terem falhado em dar a glória devida a Deus. O pecado traz tristeza e a tristeza choro. Quantas vezes chorei eu depois de me ter apercebido que pequei contra Deus. No Salmo 32 David afirma que estava num estado sem vigor porque tinha pecado contra Deus (LER), e nós qual a nossa postura para com o pecado? Aqueles que choram mostram arrependimento e esses serão consolados por Aquele que venceu a morte e o pecado.

5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Esta bem-aventurança assemelha-se à do Salmo 37:11 que afirma, “Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz” e talvez esteja baseada nela. A mansidão aqui referida é de natureza espiritual, uma atitude de humildade e submissão a Deus. O nosso modelo de mansidão é Jesus, e a palavra manso usada aqui no grego é a mesma que é usada em Mateus 11:29 referindo-se à pessoa de Jesus quando afirma que Jesus é manso e humilde de coração, na medida em que Ele se submete à vontade de seu Pai. “Pai se possível passa de mim este cálice, porém seja feita a Tua vontade.” Quantas vezes o irmão reclama com Deus?

A terra que herdaremos será a nossa pátria celestial. A nossa nova terra será o céu.

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.

Aqueles que procuram a justiça de Deus recebem aquilo que desejam, e não os que confiam na sua própria justiça. Ter fome e sede de justiça, ou seja, desejar a justiça de Deus acima de tudo, significa que estamos numa constante luta contra o pecado. Contra a injustiça, ou qualquer senso de justiça depravada do ser humano. Um Dia Jesus voltará e implementará a justiça de Deus que é perfeita. Não podemos deixar de falar da justiça que o sacrifício de Jesus trouxe ao nosso relacionamento com Deus. A Justificação, a obra de Cristo satisfez a Justiça de Deus. Se não for nesta terra decadente um dia na nossa nova terra iremos viver de uma forma em que estaremos plenamente satisfeitos (fartos) com a justiça de Deus.

7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Misericórdia é uma característica de Deus. Se agimos em misericórdia para com os nossos inimigos, Deus nos permitirá alcançar misericórdia também da parte Dele. Jesus sempre motivou os seus discípulos a amar e a tratar com misericórdia os seus inimigos. Muitas parábolas focam esse ensinamento. Não podemos ser graciosos para com o pecado do nosso próximo, mas a pessoa em si tem de ser alvo do nosso amor. Ama o pecador e abomina o pecado. Assim tem de existir uma separação entre a ação e o ser. Temos de ser misericordiosos para com o ser, e lutar contra o pecado que é a ação má.

8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.

Limpo de coração é aquele que é Santo. Aquele que vive afastado do pecado. Jesus foca o coração e não as ações, porque se o coração for limpo as ações serão santas, se as ações forem boas não significa com isso que a nossa motivação provenha de um coração limpo. Deus é 3 vezes Santo (Isaías 6) e Jesus afirma que somente os que buscam a Santidade poderão ver a Deus. Pelo facto de Deus ser espírito, a sua essência divina é invisível, mas os santos verão a Deus através dos olhos da Fé, e Jesus assegurou aos seus discípulos que O vendo a Ele viriam o Pai. Quando estivermos no céu, na Glória, os santos filhos de Deus verão Deus tal e qual como Ele é. I João 3:2 (LER).

9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

Aqui Jesus fala acerca da paz espiritual. Aqueles que facilitam os outros, mais do que a encontrarem paz física, facilitam o encontro com Jesus possibilitando a paz espiritual com Deus, e eles próprios conseguem manter essa paz com Deus. Os filhos de Deus têm a função de eles próprios terem paz com Deus e de providenciar oportunidade para outros alcançarem essa paz com Deus. Como podemos providenciar aos outros oportunidades para terem paz com Deus? Pregando-lhes o evangelho. Mostrando-lhes o que aconteceu para que essa paz fosse alcançada.

10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Perseguição por se querer praticar a justiça, será uma realidade na nossa vida se decidirmos levar o cristianismo a sério. Devemos buscar a justiça do reino de Deus em primeiro lugar.

11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. 

Sofrer pela causa de Cristo é algo que não nos deve assustar, antes pelo contrário devemos estar gratos por Deus nos dar a oportunidade de sofrer por amor a Cristo, porque Cristo sofreu por amor a nós. LER I Pedro 3:13-18

12Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.

Galardão significa prémio, não sabemos que prémio será, mas que o nosso esforço vai ser recompensado isso vai. Lembremo-nos de Hebreus 11:39 – 12:4

Não podemos desistir da vida cristã somente por causa de adversidades e perseguição. O nosso Senhor Jesus sofreu por nós para nos dar uma vida com Deus, temos de estar dispostos a sofrer por amor a Cristo.

Os discípulos de Cristo são chamados a reconhecer a sua pequenez espiritual e com isso depender somente de Deus e não dos seus esforços;

São chamados a chorar aquilo que o pecado traz;

São chamados a serem mansos como o seu mestre e é que nos desafiou sempre a dar a outra face;

São chamados a serem justos, misericordiosos, santos e pacificadores.

E mesmo se nos perseguirem por causa de sermos assim, devemos aguentar e persistir no caminho de Deus, porque iremos receber a recompensa.

 

 

 

Publicado por: absesimbra | 27 de Setembro de 2019

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Publicado por: absesimbra | 26 de Setembro de 2019

Pregação introdução ao sermão do monte Mateus 5:1-2

Aqui hoje começamos uma série de pregações sobre o sermão do monte. Estas palavras de Jesus descritas por Mateus nos capítulos 5, 6 e 7 do seu evangelho, já muito têm sido alvo de ensinamentos, livros, palestras, tema de conferências, etc… é talvez dos textos mais estudados ou falados da Bíblia.

Mas é um manifesto extremamente importante de ser lido, estudado e praticado. De tudo o que Jesus disse, estas suas palavras são as que mais se apro­ximam de um manifesto, pois descrevem o que Ele desejava que os seus discípulos fossem e fizessem.

Ao ler e estudar as palavras de Jesus no monte, temos de compreender a essência da sua mensagem e aí tornar-se-á mais simples vivê-la. Isto porque tentar viver o que Jesus nos pede no sermão do monte é viver em constante “contra cultura”. Não pode jamais haver paz entre a nossa forma de viver e a forma de viver do mundo e conseguirmos chegar sequer perto do que Jesus nos pede como seus seguidores no sermão do monte. Tem de existir um constante desconforto nesta vida em que andamos inseridos num sistema de valores que vai contra os ideias e ensinamentos do nosso Salvador. Se não existe desconforto, e se por outro lado não existe um desejo interior, que se manifesta no exterior, de abraçar o Reino de Deus, de desejar ardentemente estar na presenla de Deus, não somos dignos sequer de tentar praticar aquilo que Jesus nos pede neste discurso.

Relembro o texto de Paulo escrito aos Romanos 12:2 de que a forma de experimentarmos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus é o quê? Não nos conformarmos com este século, com este mundo, não aceitarmos os valores deste mundo, mas entrarmos em batalha direta com eles. É disto que este discurso de Jesus fala,

Não há um parágrafo no Sermão do Monte em que não se trace este contraste entre o padrão cristão e o não-cristão. É o tema subjacente e unificador do Sermão; tudo o mais é uma variação dele. Às vezes, Jesus contrasta os seus discípulos com os gentios ou com as nações pagãs. Assim, os pagãos amam-se e saúdam-se uns aos outros, mas os cristãos têm de amar os seus inimigos (5:44-47); os pagãos oram segundo um modelo, com “vãs repetições”, mas os cristãos devem orar com uma humilde reflexão de filhos do seu Pai no céu (6:7-13); os pagãos estão preocupados com as suas próprias necessidades materiais, mas os cristãos devem buscar primeiro o reino e a justiça de Deus (6:23, 33).

Em outros pontos, Jesus contrasta os seus discípulos, não com os gentios, mas com os judeus, ou seja, não com pessoas pagãs mas com pessoas religiosas; especificamente, com os “escribas e fariseus”. Ou seja não o sermão do monte não é somente um manifesto contra a cultura decaída deste mundo, mas também contra a religião podre que se deixou dominar pelos padrões deste mundo, pelos religiosos que vivem tão afastados de Deus como os próprios ateus.

Esta semana o papa Francisco afirmou algo que á primeira vista pode ser chocante, mas que eu pessoalmente concordo com ele e que se analisarmos bem faz todo o sentido.

O Papa Francisco afirmou nesta quarta-feira que é preferível viver como ateu do que ir todos os dias à igreja e passar a vida a odiar e a criticar os outros.

“Quantas vezes vemos o escândalo dessas pessoas que passam o dia na igreja, ou que lá vão todos os dias, e depois vivem a odiar ou a falar mal dos outros”,

O papa acrescentou que o melhor é nem ir à igreja: “Vive como um ateu. Se vais à igreja, então vive como filho, como irmão, dá um verdadeiro exemplo”, instou.

O Papa aludia ao evangelho de São Mateus, em que se referem os hipócritas que rezam “para ser vistos pelas pessoas”.

“Os pagãos acreditam que se reza a falar, a falar, a falar. Eu penso em muitos cristãos que acreditam que rezar é falar com Deus, salvo seja, como um papagaio. Não, rezar faz-se com o coração, a partir do interior”, defendeu.

O Sermão do Monte é o esboço mais com­pleto, em todo o Novo Testamento, da contracultura cristã. Eis aí um sistema de valores cristãos, um padrão ético, uma devoção religiosa, uma atitude para com o dinheiro, uma ambição, um estilo de vida e uma teia de relacionamentos: tudo completa­mente diferente do mundo que não é cristão. E esta contra­cultura cristã é a vida do reino de Deus, uma vida humana real­mente plena, mas vivida sob o governo divino.

Descreve o comportamento que Jesus esperava de cada um dos seus discípulos, que são também cidadãos do reino de Deus. Vemos como Jesus é em si mesmo, em seu coração, em suas motivações, em seus pensa­mentos, e também quando afastado, sozinho com o seu Pai. Vemo-lo na arena da vida pública, relacionando-se com o pró­ximo, exercendo misericórdia, patrocinando a paz, sendo perse­guido, agindo como sal, deixando a sua luz brilhar, amando e servindo os outros (até mesmo aos seus inimigos), e dedicando-se acima de tudo à expansão do reino de Deus e da sua justiça no mundo.

Agora será que os padrões do Sermão do monte estão ao alcence de todos? Será que pelas minhas próprias forças eu posso chegar a este padrão de vida cristã?

O que este sermão contém não pode ser imediatamente atingidos por todo o mundo, nem totalmente alcançados por qualquer um. Colocá-los além do alcance de qualquer pessoa é ignorar o propósito do Sermão de Cristo; colocá-los como sendo atingíveis por qualquer pessoa é ignorar a realidade do pecado e a batalha diária que este nos impõe.

Então mas será que Jesus pedia aos seus discípulos algo impossível de alcançar? Uma forma de viver utópica que somente é teórica mas na prática está longe de ser alcançada?

Estes padrões são atin­gíveis, mas só por aqueles que experimentaram o novo nasci­mento, condição esta que Jesus disse a Nicodemos ser indispen­sável para se ver e para se entrar no reino de Deus. Pois a justiça que Jesus descreve no Sermão é uma justiça interior. Embora se manifeste externa e visivelmente em palavras, em atos e em relacionamentos, continua a ser essencialmente uma justiça do coração. O que se pensa no coração, e onde o coração é colocado, isso é o que realmente importa.

E aqui também que jaz o pro­blema, pois os homens são “maus” por natureza. Pois é do seu coração que saem as coisas más e do seu coração que saiem as suas palavras, assim como é a árvore que estabelece os frutos que produzirá.

Portanto, só há uma solução: “Fazei a árvore boa, e o seu fruto será bom”. Um novo nascimento em Cristo é fundamental, diria até essencial. Só a crença na necessidade e na possibilidade de um novo nascimento pode evitar que leiamos o Sermão do Monte com um tolo otimismo ou um desespero total. Jesus proferiu o Sermão para aqueles que já eram seus discípulos e, portanto, também cidadãos do reino de Deus e filhos da família de Deus. O sermão não foi proferido para a multidão, mas para os discipulos. O alto padrão que Jesus estabeleceu só é apropriado para tais pessoas.

Por isso temos de aceitar a nossa condição de pecadores, e perceber que a nossa única solução é diante de Jesus confessar o nosso pecado que nos afasta de Deus, da Sua Santidade. Confessar de que o Seu sacrificio na cruz foi o necessário para a Justiça de Deus ser satisfeita e para alcançarmos paz com Deus. Confessar também que cremos que Deus aceitando o sacrificio de Jesus o ressuscitou dos mortos e Jesus vivo está.

É isto que significa a Ceia (explicar a CEIA e tomar).   (…) CEIA (…)

Depois de compreendermos e de aceitarmos esta verdade do Evangelho temos de viver a nossa vida em conformidade com o evangelho, ou seja como Jesus nos pede no sermão do monte.

Nenhum comentário po­deria ser mais prejudicial para o cristão do que as palavras: “Mas tu não és diferente das outras pessoas!”

O tema essencial de toda a Bíblia, desde o começo até ao fim, é que o propósito histórico de Deus é chamar um povo para si mesmo; que este povo se torne um povo “santo”, separado do mundo para lhe pertencer e obedecer; e que a sua vocação seja permanecer fiel à sua identidade, isto ê, ser “santo” ou “diferente” em todo o seu pensamento e em todo o seu comportamento. Tornam-se diferentes!

Jesus enfatizou que os seus verdadeiros discípulos, os cidadãos do reino de Deus, tinham de ser inteiramente diferentes. Não deveriam tomar como padrão de conduta as pessoas que os cercavam, mas sim Deus, e assim provar serem filhos genuínos do seu Pai celestial. Alguns estudiosos citam Mateus 6:8 como o texto-chave do Sermão do Monte: “Não vos asse­melheis, pois, a eles.”

Imediatamente nos faz lembrar a palavra de Deus a Israel, na antiguidade descrita para com o povo escolhido de Deus em Levítico 18:3  (LER) “Não fareis como eles.” É o mesmo convite para serem diferentes. E este tema foi desenvol­vido através de todo o Sermão do Monte. O caráter deles teria de ser completamente diferente daquele que era admirado pelo mundo. Deveriam brilhar como luzes nas trevas reinantes. A justiça deles teria de exceder à dos escribas e fariseus, tanto no comportamento ético quanto na devoção religiosa, enquanto que o seu amor deveria ser maior, e a sua ambição mais nobre do que a dos pagãos, aqueles que seguiam outros deuses falsos diante do ÚNICO DEUS VERDADEIRO.

Na próxima semana vamos entrar mais especificamente no sermão a partir do verso 3 do capítulo 5 até ao verso 12. Leiam em casa, ou seja, as bem aventuranças.

 

Publicado por: absesimbra | 19 de Julho de 2019

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