Quando esta semana estava a pensar o que deveria pregar perguntas como: Queres mais de Deus na tua vida? Ou queres te deleitar mais em Deus? Surgiram na minha mente.

Todos sabemos como deveríamos responder a tais perguntas. Claro que sim! Mas sejamos honestos. Nem sempre estamos seguros de que desejamos passar mais tempo com Deus. Com bastante frequência há outras coisas que nós preferiríamos fazer. Apenas sabemos qual a resposta que agrada a Deus e fazemos o politicamente correto, respondendo que sim queremos, mas toda a nossa linguagem corporal e decisões diárias dizem o contrário.

Coloquemos a questão da seguinte forma: o irmão agrada-se de Deus? O fato de buscar mais de Deus depende do que pensa acerca Dele. Depende do pensar que um relacionamento com Deus é algo digno de ser buscado.

Ou será que no nosso relacionamento com Deus apenas vivemos numa espécie de piloto automático e religioso?

Todos nós sabemos que num relacionamento tem de existir dinâmica, no sentido de investir em experiências, diálogo. Se não existir isso não há investimento, logo não podemos ter alegria em Deus.

Volto a perguntar, o irmão agrada-se de Deus? Tem alegria em Deus?

Na mente de Paulo, não havia dúvida sobre a resposta a esta pergunta. Qual era o alvo do seu ministério? O que ele estava a tentar fazer enquanto navegava pelo Mediterrâneo, arriscando naufragar, ser preso, enfrentar motins? Etc… A resposta é: Paulo estava a tentar levar alegria às pessoas, por via do seu exemplo, da sua alegria vivida num relacionamento cheio e dinâmico com Deus.

Ele diz à igreja em Corinto: “somos cooperadores de vossa alegria; porquanto, pela fé, já estais firmados” (2Co 1.24). Ele diz algo parecido à igreja em Filipos: “estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé” (Fp 1.25).

O alvo do ministério de Paulo era que as pessoas experimentassem alegria observando a sua própria alegria em Cristo Jesus. Em ambos esses versículos, alegria é algo relacionado com a nossa fé em Deus. Isso porque tal alegria não é algo que experimentamos como resultado de circunstâncias felizes. Não é como se Paulo desejasse que todos nós estivéssemos sentados à beira do mar, com uma bebida refrescante nas mãos sem fazer nada de papo para o ar. Afinal, quando Paulo escreveu aos Filipenses, ele próprio estava preso, encarando uma possível execução. Então, à semelhança de Paulo essa alegria é algo que podemos experimentar apesar das circunstâncias. As circunstancias não roubavam a alegria de Paulo, mas será que roubam a nossa?

Certa vez, Paulo descreveu-se a si mesmo como “nada tendo, mas possuindo tudo” (2Co 6.10). Algumas linhas depois, ele acrescenta: “sinto-me grandemente confortado e transbordante de júbilo em toda a nossa tribulação” (2Co 7.4).

Como podemos não ter nada e possuir tudo? Como podemos ter tribulação e transbordar de júbilo?

A resposta é que a fé olha além das circunstâncias e vê o nosso relacionamento com Deus. O cristianismo diz respeito a um relacionamento com Deus, a um relacionamento com Deus que produz alegria apesar de tudo o que nos rodeia, e onde essa alegria não fica reservada para nós mesmos, mas contagia outros. Os outros têm de ver a nossa alegria no Senhor, e é na medida em que a nossa alegria transparece para os outros que o nosso testemunho se torna mais eficaz. Ou seja, evangelizar pela alegria, evangelizar pela nossa satisfação em Cristo.

Vamos ver agora alguns dos benefícios em ter alegria ou deleitar-se num relacionamento com Deus:

1) Deleitar-se em Deus ajuda a vencer a tentação

O pecado é um concorrente de Deus. A tentação sempre nos apresenta uma escolha entre encontrar alegria em Deus ou nos prazeres do pecado. A Bíblia diz que o coração dirige o nosso comportamento. Nós sempre fazemos aquilo que desejamos. Se nos deleitamos em Deus, então o pecado será percebido como o mísero substituto que de fato é.

Quando estamos satisfeitos em Deus não o substituímos.

2) Deleitar-se em Deus ajuda a suportar o sofrimento

O sofrimento envolve perda — perda de saúde, dinheiro, status, amor. Estas perdas sem dúvida que são reais e dolorosas, não estamos a tentar desvalorizar isso. Mas reparamos que sempre que vemos as pessoas que experimentam Deus enfrentando tais perdas, as enfrentam melhor. Porquê? Porque nós nunca perdemos Deus. Nada pode nos separar do seu amor. Quando outras coisas são arrancadas de nós, continuamos com Deus, e Ele nos basta.

3) Deleitar-se em Deus ajuda a estimular o serviço

Um dos trabalhadores mais diligentes descritos na Bíblia é o irmão mais velho na parábola do filho pródigo (Lc 15.11-32). Mas numa certa noite, seu serviço fiel revela o que realmente esse serviço é: um serviço para si mesmo. Acontece que ele jamais trabalhou de fato para o pai, mas sempre para a sua própria recompensa. Ele vê-se a si mesmo como um escravo, não como um filho. Se compararmos o seu serviço com o de Jesus, Jesus serve como um Filho. Ele foi até a cruz “em troca da alegria que lhe estava proposta” (Hb 12.2).

Se nos sentimos como escravos de um Deus distante que exige a sua obediência, então o nosso serviço sempre nos parecerá maçante e será caracterizado por um senso de dever desprovido de alegria. Por isso por vezes é tão difícil encontrar pessoas para servir na igreja local. Mas, se nos sentimos como filhos do Deus, de um Deus que derramou o seu amor sobre nós, então o nosso serviço será voluntário, pleno e alegre. Nunca poderemos servir o suficiente para sequer chegar perto daquilo que Deus fez por nós. Nós nos deleitaremos em agradar o nosso Pai, em vez de sentirmo-nos obrigados a obedecer ao nosso patrão.

4) Deleitar-se em Deus ajuda a um testemunho vibrante

Muitas vezes, o nosso evangelismo é esforçado e mais parece que como que uma obrigação chata que fazemos para dar graxa a Deus ou ás vezes dar graxa ao pastor. Esforçamo-nos para relutantemente espremer uma pequena gota de evangelho, nas nossas conversas e mais parece que ninguém fica muito impressionado com isso.

Contudo, todos nós somos uma espécie de evangelistas daquilo que amamos. As pessoas não poupam elogios às virtudes da sua equipa favorita, do seu programa de TV preferido ou de um novo sucesso alcançado. E esse entusiasmo é contagiante.

Da mesma forme quanto mais experimentamos um relacionamento com Deus e encontramos alegria nele, mais o nosso evangelismo será entusiasmado e contagiante. Ele deixará de ser um exercício constrangedor, enfiado no meio da conversa como uma obrigação. Em vez disso, será como o transbordar de corações cheios, falaremos empolgados daquele de quem amamos e do que Ele fez por nós.

5) Deleitar-se em Deus ajuda a capacitar para o sacrifício

Imagine a nossa igreja cheia de pessoas que dizem: “Nada se compara a conhecer a Cristo. Eu alegremente vou abrir mão do meu tempo, dinheiro, status, casa, futuro e conforto para servir Deus”. O que poderíamos conquistar com um povo que vive dessa forma? Contudo, isso é exatamente o que Paulo diz: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.8).

Certa vez, Jesus contou uma pequena parábola:

O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo (Mt 13.44).

O próprio Deus é aquele tesouro. Quanto mais conhecemos Deus, mais estamos dispostos a abrir mão de tudo o resto. E observe que o homem na parábola vende tudo o que tem “transbordante de alegria”. Abrir mão das coisas geralmente não soa como uma coisa alegre de se fazer. Contudo, quando abrimos mão descobrimos que os maiores sacrifícios que fazemos na nossa vida não parecem sacrifícios enquanto os fazemos. De uma forma natural parecem ser a coisa óbvia a fazer para buscar Deus e a Sua glória. O sacrifício torna-se uma oportunidade para expressar a nossa alegria em Deus. Aquilo de que abrimos mão parece pequeno em comparação com o que vamos ganhar.

Estas são algumas das coisas que são geradas na nossa vida à medida que nos relacionamos com Deus e encontramos alegria Nele. Resta-nos transformá-las num teste de diagnóstico e avaliar a nossa alegria de viver. Pergunte-se a si mesmo se alguma das seguintes afirmações são verdadeiras a seu respeito.

  • Com frequência, cedo à tentação?
  • Sofrimento e perda enchem-me de medo?
  • O serviço que faço parece enfadonho?
  • O meu testemunho e evangelização parecem uma obrigação?
  • Os meus sacrifícios parecem sacrifícios dolorosos?

Se qualquer uma delas for verdadeira, então isso provavelmente é um sinal de que o irmão não está a encontrar tanta alegria em Deus quanto poderia encontrar:

E não se esqueça a alegria no Senhor é a nossa força… Neemias 8:10

(Adaptado de um artigo da editora Fiel)

Publicado por: absesimbra | 9 de Janeiro de 2020

Pregação 5 janeiro 2020

Se pararmos para termos a noção de tempo percebemos que estamos já no ano 2020…

Para nos ajudar a ter melhor a perceção dos anos que já passaram podemos ver alguns acontecimentos que se passaram alguns anos atrás.

Exemplo:

  • A guerra do golfo aconteceu há 30 anos atrás.
  • O avião concorde que caiu em França e morreram 113 pessoas aconteceu há 20 anos atrás.
  • A PS2 saiu há 20 anos atrás.
  • Faz este ano 10 anos que ocorreu o terramoto no Haiti que vitimou milhares de pessoas.
  • Faz igualmente 10m anos que aconteceu aquela tragédia dos 10 mineiros que ficaram presos numa mina no Chile.

Entre outras coisas que possivelmente se vai lembrando e que nos fazem ter a real noção da rapidez com que o tempo passa.

Ora o tempo é algo muito importante para Deus. É um recurso que Deus nos dá pelo qual vamos ter de prestar contas. E aí nessa matéria não existem pessoas ricas ou pobres, ao contrário do dinheiro e bens materiais, o tempo todos nós tempos 24 horas por dia.

Vamos analisar uma passagem onde o Apóstolo Paulo aborda esta questão do tempo e do início/fim de ciclos.

LER II Timóteo 4:1-8

Por isso, insisto solenemente, diante de Deus e Cristo Jesus, que

Insisto solenemente – Algo muito forte da parte de Paulo. Através do discurso percebe-se que Paulo estava mesmo a dar importância ao que ia expor.

há de julgar os vivos e os mortos, quando vier outra vez para estabelecer o seu reino aqui na Terra:

 

Cristo Jesus vai vir uma segunda vez para julgar as ações dos vivos e dos mortos. Ora cada vez que o tempo passa esta realidade estará cada vez mais próxima. Temos de gerir o nosso tempo de forma a honrar esta segunda vinda, estando preparados para ela. Pode fazer a seguinte questão? Se Jesus viesse agora neste instante o irmão estaria pronto para receber Jesus?

Jesus virá para estabelecer o Seu Reino aqui na Terra, enquanto Ele não vem essa função é nossa. Como discípulos de Cristo e Sua igreja devemos lutar para implementar o Reino do Nosso Senhor aqui na Terra.

que anuncies a palavra de Deus; que insistas nessa pregação, não só nas ocasiões consagradas, mas também fora delas; que corrijas e repreendas, que encorajes com toda a paciência os que são fracos, dando-lhes o ensino de que necessitam.

Toda a pregação tem de ter por base a Palavra de Deus. Outra versão diz para pregarmos a palavra quer seja oportuno quer não seja, ou seja, devemos viver para isto. As nossas conversas, os nossos diálogos, os nossos pensamentos devem estar cheios da Palavra de Deus.

II Timóteo 3:16 (LER)

Porque há de vir uma época em que as pessoas não hão de querer mais ouvir a sã doutrina e procurarão rodear-se de mestres que lhes ensinarão apenas aquilo que vai de encontro aos seus desejos e que seja agradável aos seus ouvidos. Recusando-se a ouvir a verdade, voltarão a seguir tradições supersticiosas.

Hoje já se vive esta realidade. As pessoas não querem ouvir que Cristo vai vir para julga-las. As pessoas não querem prestação de contas.

As pessoas preferem a mentira à verdade. A Sã doutrina é a verdade. A mensagem do Evangelho é a verdade e será a verdade que os vai libertar… do pecado e não as mentiras que aparentemente são boas de ouvir.

Tu, porém, mantém-te capaz de controlar, em todas as circunstâncias, o teu próprio carácter, pronto a suportar as aflições, fazendo o trabalho de um evangelista. E assim cumprirás o cargo para o qual foste responsabilizado.

Existe uma enorme preocupação da parte de Paulo em mantermo-nos honestos e com um bom carácter, para que o portador da mensagem não possa denegrir a própria mensagem. Quantas pessoas acabaram por se afastar da fé por causa do mau exemplo dos cristãos? É verdade que não somos perfeitos, mas devemos ter muito cuidado com as nossas ações, com os nossos comportamentos, pois podem deitar tudo a perder na responsabilidade que temos de ser comunicadores da parte de Deus.

Todo o cristão tem a responsabilidade de falar de Jesus aos outros e de pregar o evangelho, e evangelho implica falar de julgamento e de pecado, mesmo que isso não for atrativo para a maioria das pessoas.

Porque, naquilo que me diz respeito, a minha vida já tem sido entregue como uma oferta a Deus. Já está próximo o tempo da minha morte. Combati o bom combate, acabei a carreira da minha vida, guardei a féEstá já preparada por Deus a coroa da justiça que o Senhor, o justo juiz, me dará naquele dia que há de vir. E não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.

E Paulo deixa aqui o seu exemplo. Ele é todo ele uma oferta a Deus e é este o desafio que ele nos faz também em Romanos 12:1. Ou seja não se trata de o que tu tens e podes oferecer a Deus dentro do que possuis, mas tu como um todo ofereceres-te a Deus.

Paulo estava pronto para morrer, estamos nós prontos para morrer? Sim, porque o fim pode ser a vinda de Cristo ou a morte. E em ambas as situações temos de estar prontos para.

A vida espiritual tem várias ilustrações, aqui Paulo usa duas… combate, e carreira. Será que há medida que o tempo nos vai sendo tirado, podemos afirmar aquilo que Paulo diz acerca de si próprio? Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a Fé?

E depois ter o vislumbre daquilo que nos espera na morada de Deus – a coroa da justiça. Este é o verdadeiro prémio, galardão de Deus para com aqueles que Lhe serão fiéis atá ao fim. Ler Apocalipse 2:10.

Por fim Paulo volta a falar da segunda vinda de Jesus, Paulo volta a focar a nossa esperança.

Esta expressão de amar a Sua vinda, está carregada de significado. Amar a Sua vinda significa que não ansiamos mais nada de forma tão forte que a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo. Nada se sobrepõe a esse desejo de ver a segunda vinda de Jesus Cristo. Se desejas algo mais como por exemplo coisas terrenas então não és digno dessa ocasião.

Parece que existe uma relação direta entre o fim da nossa vida e o focar na esperança que temos em Cristo Jesus.

Termino esta primeira pregação do ano 2020, com o texto do fim da Bíblia quando João expressa como que num folego final o seu maior desejo que deve ser esse também o nosso: LER Apocalipse 22:20

20 Aquele que revelou estas coisas afirma: “Sim, em breve voltarei!”

Que assim seja! Pois vem, Senhor Jesus!”

 

 

Publicado por: absesimbra | 31 de Dezembro de 2019

Pregação Natal 2019 “Cântico de Simeão” – Lucas 2:25-35

No primeiro natal relatado por exemplo pelo o evangelho de Lucas existem 3 cânticos que servem de forma de expressão para dar a conhecer o que os seus autores sentiam naquele momento que passaram diante de Jesus o enviado de Deus. Cânticos porque os judeus tinham este hábito de quando existia um acontecimento importante que estes tinha experienciado eles criavam uma música e assim partilhavam com os outros o que tinham vivido.

Quais são os cânticos que conhecemos?

O de Maria que está em Lucas 1:46-56; o cântico de Zacarias que está em Lucas 1:67-79 e por fim o cântico de Simeão que está em Lucas 2:25-35, e é este último que vamos estudar hoje, vamos ler o cântico de Simeão:

Lucas 2:25-35 O Livro (OL)

25 Naquele dia, estava justamente no templo um homem chamado Simeão, morador em Jerusalém, um crente dedicado ao Senhor, cheio do Espírito Santo e que vivia constantemente na esperança do breve aparecimento do Consolo de Israel. 26 O Espírito Santo tinha-lhe revelado que não morreria sem ver primeiro aquele que tinha sido designado por Deus. 27 O Espírito Santo inspirou-o a ir ao templo naquele dia. Assim, quando Maria e José chegaram para apresentar o menino Jesus ao Senhor, em obediência à Lei, Simeão estava lá. 28 E tomando a criança nos braços louvou a Deus:

29 “Senhor, agora posso morrer satisfeito,
pois vi aquele que tu me prometeste que veria!
30 Vi o Salvador que deste ao mundo.
31-32 Ele é a luz que brilhará sobre as nações,
e será a glória do teu povo Israel.”

33 José e Maria admiravam-se do que se dizia a respeito de Jesus. 34-35 Simeão abençoou-os, mas depois disse a Maria: “Uma espada atravessará a tua alma, porque esta criança será rejeitada por muitos em Israel, mas para sinal de desavença entre deles. Para muitos outros, porém, será uma grande alegria. E por ele serão revelados os pensamentos mais profundos de muitos corações.”

Não sabemos muito acerca deste homem – Simeão. Aliás pelo que os estudiosos dizem apenas aparece aqui citado. Mas o relato que a Bíblia faz dele é muito interessante, e eu queria pegar nisso para juntos podermos tirar algum ensinamento bíblico para as nossas vidas.

“Um crente dedicado ao Senhor, cheio do Espírito Santo” – Quantos de nós podemos dizer isto de nós próprios? Por vezes somos crentes sim, acreditamos que Deus existe, mas somos nós dedicados ao Senhor? E cheios do Espírito Santo? Na medida em que a nossa vida é completamente dedicada a Deus? Ou somente nos interessamos pelas coisas de Deus quando temos algo a ganhar em troca Dele?

 

 

“E que vivia constantemente na esperança do breve aparecimento do Consolo de Israel.” – Simeão tinha uma esperança que era ver Jesus, o Salvador de Israel, o Salvador do mundo. A esperança de Simeão estava em Jesus. A nossa esperança está nas coisas materiais desta terra? Ou está em Deus? Estamos nós com esperança que Jesus venha?

“O Espírito Santo tinha-lhe revelado” (…) “O Espírito Santo inspirou-o a…” – Simeão tinha uma relação muito intima com Deus, o Espirito Santo falava com ele, inspirava-o a agir e ele obedecia. Como é o meu relacionamento com Deus?

“Simeão abençoou-os” –  Simeão era veículo de bênção de Deus para com o seu próximo. Sou eu uma bênção e abençoo outros á minha volta?

“29 “Senhor, agora posso morrer satisfeito,
pois vi aquele que tu me prometeste que veria!
30 Vi o Salvador que deste ao mundo.
31-32 Ele é a luz que brilhará sobre as nações,
e será a glória do teu povo Israel.”

Este é o cântico de Simeão, neste cântico Simeão expressa que ficou satisfeito com o que alcançou na vida. Ele viu o Salvador chegar, Ele viu a Salvação de Deus. O Evangelho. Ficamos nós satisfeitos com o Evangelho?

O que é o Evangelho? É o natal…

A palavra Evangelho significa “Boa notícia”, mas qual é a má notícia para que exista uma boa notícia?

Pregar o Evangelho:

  • Criação (autoridade de Deus) Génesis 1:1No princípio criou deus os céus e a terra.” Mateus 28:18Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.”

 

  • Decisão do Homem (responsabilidade) Romanos 3:23Todos pecaram e afastados da Glória de Deus estão.”

 

  • Consequência (Morte) Romanos 6:23O salário do pecado é a morte.”

 

  • Amor de Deus Romanos 6:23 “(…) mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor.João 3:16Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único filho para que todo aquele que Nele confiar não morra, mas tenha a vida eterna.”

 

  • Plano de Salvação – Como a consequência do pecado é a morte e todos nós os seres humanos não têm a capacidade de nos salvarmos a nós próprios, como percebemos isso, através da lei de Deus, não conseguimos cumprir a lei de Deus, quem nunca penso mal? Quem nunca mentiu? Quem nunca cobiçou algo do próximo? Estamos longe do padrão de Deus. Por isso Jesus Cristo…

 

 

  • Jesus Cristo II Coríntios 5:21Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fossemos feitos justiça de Deus.”

I Timóteo 2:1-7 – verso 4 Deus deseja que todos se salvem e que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade que é… Cristo o único mediador entre Deus e os homens, Cristo o único pelo qual há salvação.

  • Graça – Assim pela graça Deus dá-nos a salvação por meio de Jesus Cristo Efésios 2:8-9Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, ara que ninguém de glorie.”

 

  • Aceitar/decidir viver para Deus Romanos 10:9-11 (LER) e I João 1:9Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.”

 

  • Caminhada cristã Igreja local, discipulado, batismo, dar a conhecer o evangelho a outros, etc…

 

  • Morte, mas vida eterna – morreremos fisicamente, mas um dia iremos ressuscitar e viveremos eternamente com Deus no céu. Esperança em Jesus Cristo.

 

O que tem de fazer agora? Reconhecer que é pecador, decidir confessar o seu pecado e que os seus esforços são insuficientes para agradar a Deus. Que precisa de Jesus Cristo para ter paz com Deus.

Como fazer isso? Com as suas próprias palavras através de algo que diz a Deus, chamado de Oração.

Depois a igreja tem a responsabilidade de o acompanhar, por isso é tão importante sabermos se tomou essa decisão, para lhe podermos prestar todo o apoio nesta nova fase da sua vida.

 

 

Publicado por: absesimbra | 25 de Dezembro de 2019

Pregação “Suportar as adversidades”

Na semana que passou no contexto do culto de partilha do EDIFOR, ouvimos, inspirados pela vida de Job e pelo discurso do seu amigo Eliú descrito nos últimos capítulos do livro de Job, que o sofrimento é algo que acontece nas nossas vidas como um aspeto da Graça Divina para nos fazer crescer na vida cristã. Sofrimento não é fruto de uma causa-efeito. Apesar de a percebermos que pelo nosso pecado podemos sofrer consequências das nossas decisões, não significa que se fizermos tudo bem que não iremos sofrer.

Basta olhar para algumas passagens bíblicas que nos mostram a experiência de heróis da fé que foram mortos, serrados ao meio por amor a Cristo. Hebreus 11 um texto Bíblico que muitas vezes é chamado de “Galeria dos heróis da Fé”, vemos exemplos de homens e mulheres que sofreram por amor ao reino de Deus. Se abrirmos as nossas bíblias em Hebreus 12:1-11 (LER) temos aqui nesta passagem a descrição do exemplo a seguir, Jesus, que também sofreu, e aquilo que é um dos objetivos do sofrimento, que é crescimento.

Se lermos I Reis 19:1-18 (LER) vemos um outro homem de Deus, profeta do Deus Altíssimo que outrora fez coisas impressionantes com o poder de Deus, tais como, por exemplo, orar e durante 3 anos e 6 meses não chover, orar e chover fogo do céu, entre outros milagres, estava a passar por um sofrimento de morte, por causa da perseguição que estava a ser alvo. E Deus o restaurou. E pegando também naquilo que ouvimos no culto passado ainda no contexto da partilha do EDIFOR, vejam no versículo 11 a 13, a forma como Deus falou se assemelha muito mais ao silêncio, à calmaria, do que ao barulho e tempestade. Como o que foi partilhado, que Deus fala no silêncio e Deus falou a Elias pela calmaria, tranquilidade e suavidade.

Já que estamos a nos aproximar do natal e normalmente o Natal é sinónimo de Noite de paz, noite de amor, tranquilidade, tempo em família, prendas, harmonia, etc.… quero também dar um cunho natalício a esta pregação.

Mas se analisarmos bem os primeiros capítulos de Mateus verificamos que o nascimento de Jesus, no fundo o que se celebra no Natal, foi um pouco atribulado, principalmente para Maria, José e para o próprio menino Jesus.

Se nós abrirmos as nossas bíblias no princípio do Evangelho de Mateus verificamos que na vida da família de Jesus acontecem algumas contrariedades, no ato de obedecer a Deus.

Mateus 1:18-19

  • Maria encontra-se grávida sem ter coabitado;
  • José deixa Maria porque não sabe da história toda;
    • Vejam esta citação de um trabalho realizado por Jane Glasman uma estudiosa da cultura judaica: “A lei moral judaica exigia completa abstinência sexual dos solteiros de ambos os sexos. Assim que os meninos e meninas se tornavam conscientes de sua sexualidade, eram treinados no exercício do controle de suas paixões; A prática do adultério na antiga sociedade judaica era encarada com horror e apreensão. Moisés, os Profetas e os Sábios Talmúdicos nela viam uma ameaça à integridade moral do indivíduo e à preservação de Israel como uma “nação sagrada”. A proibição taxativa do sétimo mandamento do Decálogo: “Não cometerás adultério” era reforçada pela advertência do décimo: “Não cobiçarás a mulher do próximo.”

Não tendo José coabitado por ainda não estarem casados, isso colocava a hipótese do adultério como sendo a única possibilidade de possíveis causas para aquela gravidez. Imaginem a pressão que Maria estaria a viver, isto porque ela estava consciente das consequências diretas da suspeita de adultério com uma gravidez consumada. Seria o abandono por parte do noivo e nunca mais nenhum homem quereria casar com ela. Com isso vinha a pobreza material porque naquele tempo a mulher dependia totalmente do sustento do marido. Para não falar da desonra que isso trazia à família da mulher e com isso vinha também o abandono por parte da família da “adúltera”. Mas no fim sabemos que Deus moveu o coração de José para este aceitar Maria como sua esposa e aceitar o filho que crescia no seu ventre.

Mateus 2:13

Depois de passarem o que passaram com uma gravidez miraculosa, tinham também o rei Herodes que pretendia matar Jesus por se sentir ameaçado pelo novo Rei dos Judeus, uma vez que era Herodes o atual rei. Quem era Herodes? E porque Maria e José se deram ao trabalho de fugir de burro para o Egipto com um recém-nascido nos braços para não falar das condições adversas desse caminho é maioritariamente?

Fuga para o Egipto:

  • Para não ser morto, Jesus, talvez com um ano e seis meses de idade, foi levado pelos pais para o Egito. A viagem foi longa, a maior que os três fizeram, entre tantas. A distância, de Belém à fronteira com o Egito, pelo deserto, era de, pelo menos, 120 km, dependendo da cidade em que ficaram. A viagem deve ter demorado entre 10 e 20 dias, se não pararam por algum tempo em alguma cidade do caminho. Lembre-se que eles viajavam de Burro. E o caminho era maioritariamente deserto.

Mas vejamos como Herodes é descrito num artigo que li sobre a sua biografia:

  • “Descrito como “um louco que assassinou sua própria família e inúmeros rabinos”, Herodes é conhecido por seus colossais projetos de construção em Jerusalém e outras partes do mundo antigo, em especial a reconstrução que patrocinou do Segundo Templo, naquela cidade, por vezes chamado de Templo de Herodes. Alguns detalhes de sua biografia são conhecidos pelas obras do historiador romano-judaico Flávio Josefo. O relato de Mateus é consistente com a personalidade de Herodes, que foi relatado como sendo impiedoso na defesa de seu poder e notório por sua brutalidade.”
  • Irritado e inseguro, temendo alguma ameaça ao seu governo, Herodes I (ou Herodes o Grande) mandou matar todas as crianças de Belém, com menos de dois anos de idade, levando o luto a, pelo menos, sete famílias. Por essa época, Herodes tinha 71 anos de idade. A chacina pôs fim à vida de várias crianças, com o seu número podendo ser fixado entre 7 e 20, todas menores de dois anos de idade. Sua decisão pode soar exagerada, mas estava coerente com a sua biografia. Com a conivência do Império, ele tinha mandado executar uma de suas esposas (Mariamne), três filhos (Aristóbulo IV, Alexandre e Antipater III) e um de seus irmãos.

Mateus 2:16-17

  • Morte dos bebés por causa de Jesus:
    • Pressão social (do povo daquela vila);
    • Mandou matar todas as crianças de Belém, com menos de dois anos de idade, levando o luto a, pelo menos, sete famílias. A chacina pôs fim à vida de várias crianças, com o seu número podendo ser fixado entre 7 e 20, todas menores de dois anos de idade.

Ou seja, este episódio do natal está envolto também em algumas circunstâncias bem complicadas para a família de Jesus. Mas como deve ser a nossa atitude diante das adversidades?

O Apóstolo Paulo na sua carta aos Filipenses 4:12-13 ele resume de uma forma direta aquilo que eu gostaria que fosse a conclusão desta meditação que tivemos aqui, que realmente esta possa também ser a nossa postura perante as adversidades da vida.

“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”

Filipenses 4:12-13

Sempre que passar por uma adversidade, lembre-se de que Deus está no controle e de que Ele cuida de si, e todas as coisas contribuem para o seu crescimento em Cristo Jesus.

Publicado por: absesimbra | 23 de Dezembro de 2019

Estudo pormenorizado de Mateus 7:21-29

Estamos a terminar o estudo do sermão do monte, após 9 semanas a estudar Mateus 5 a 7 chegamos ao fim desta grande descrição que Jesus faz de como quer que sejam e vivam os seus discípulos. Vamos então ler a última secção de Mateus.

 

21«Nem todos aqueles que me dizem: “Senhor, Senhor!” entrarão no reino dos céus, mas apenas os que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus.

Vivência de vida cristã é algo prático e não teórico. Ou seja, fruto do Espírito é algo que tem de ser visto no nível comportamental e não da boca para fora.  DIZER vs FAZER

Tiago 2:17 – “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” (Ver contexto)

 

22Quando aquele dia chegar, haverá muitos que me hão de dizer: “Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? Não fizemos numerosos milagres em teu nome? Não chegámos a expulsar demónios em teu nome?”

Religião vs Santidade, Jesus apresenta aqui todos os dons exteriores, visíveis, aqueles dons que são tão fáceis de manipular e dar a entender ao outro que somos muito espirituais ou então muito hipócritas.

Um relacionamento com Deus tem de ser de dentro para fora, não se trata de mostrar aos outros o quanto somos espirituais, mas sim de Deus saber a saúde da nossa vida espiritual, porque é fácil enganar os outros, mas a Deus ninguém engana.

 

23Eu então hei de declarar-lhes: “Nunca vos conheci. Afastem-se de mim, seus malfeitores!”»

A vida cristã é uma busca constante de conhecermos Deus e ser conhecido por Deus. Mas mais importante que conhecermos Deus é sermos conhecidos de Deus, é Deus poder olhar para nós e dizer “Conheço-te!” Somente aí poderemos ter parte com Ele no Seu lar.

 

24«Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática pode comparar-se ao homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha.

Existe aqui uma tensão entre o ouvir e o praticar aquilo que entendemos ser claro na vontade de Deus. Mais uma vez Jesus foca a prática de obediência a Deus.

João 14:15 “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” Guardar significa obedecer Salmo 119:11 “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”

Jesus dá uma ilustração acerca de obediência a Deus. (Vamos LER)

 

25Caiu muita chuva, vieram as cheias e os ventos sopraram com força contra aquela casa. Mas ela não caiu, porque os seus alicerces estavam assentes na rocha.

Aquele que obedece a Deus é comparado a um homem sábio, inteligente, sensato, que firma a sua vida em alicerces fortes.

Casa – Vida

Rocha – Cristo (I Coríntios 10:4)

Chuvas, cheias e ventos – Dificuldades da vida

Ser discípulo de Cristo não significa que não existem dificuldades na vida, mas que quando as enfrentarmos estamos em paz porque sabemos que Deus que é Soberano cuida de nós.

 

26Porém, aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática pode comparar-se ao homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia.

27Caiu muita chuva, vieram as cheias e os ventos sopraram com força contra aquela casa. Ela caiu e ficou arruinada.»

Aquele que diante das dificuldades da vida confia mais na sua própria força e esperteza, mais cedo ou mais tarde, nem que seja somente diante de Deus depois de morrer, vai ficar arruinado.

Vou ler uma citação de um livro que estou a estudar sobre o sermão do monte que diz o seguinte:

 

“Enquanto os dois prosseguiam com a sua constru­ção, um observador casual não poderia perceber qualquer dife­rença entre as duas casas, pois a única diferença estava nos ali­cerces, e estes não podiam ser vistos. Só depois que uma tempes­tade se desencadeou sobre as duas casas com grande ferocidade: “chuva no telhado, rio nos alicerces, vento nas paredes”,[1] foi re­velada a diferença fatal e fundamental. A casa edificada sobre a rocha resistiu à tormenta, enquanto que a casa sobre a areia ficou irreparavelmente arruinada.

Da mesma maneira, os cristãos professos (os genuínos e os espúrios) freqüentemente se parecem. Não podemos facilmente distinguir qual é qual. Ambos parecem estar edificando vidas cristãs. Jesus não está fazendo uma comparação entre cristãos e não-cristãos que não fizeram nenhuma profissão de fé. Pelo con­trário, o que é comum aos dois edificadores espirituais é que eles ouvem estas minhas palavras. Portanto, os dois são membros da comunidade cristã visível. Ambos lêem a Bíblia, vão à igreja, ouvem os sermões e compram literatura cristã. O motivo por que tão freqüentemente não podemos diferençar um do outro é que os alicerces de suas vidas estão ocultos aos nossos olhos. A verda­deira pergunta não é se ouvem os ensinamentos de Cristo (nem mesmo se os respeitam ou crêem neles), mas se fazem o que ouvem. Apenas uma tempestade revelará a verdade. Às vezes, uma tempestade de crises ou calamidades revela que tipo de pessoa somos, pois “a verdadeira piedade não se distingue total­mente de sua imitação até que venham as provações”.[2] Caso contrário, a tempestade do dia do juízo certamente o fará.”

 

A verdade sobre a qual Jesus está insistindo nestes dois pará­grafos finais do Sermão é que nem um conhecimento intelectual dele, nem uma profissão de fé verbal, embora ambos sejam essenciais em si mesmos, podem substituir a obediência.

O obediência ao Senhor toma aqui uma proporção fundamental na nossa vida diária como discípulos de Cristo.

28Quando Jesus acabou de pronunciar estas palavras, a multidão estava admirada com os seus ensinamentos. 29É que ele ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da lei.

 

Jesus ensinava como quem tem autoridade porque Ele praticava o que pregava. Jesus várias vezes está na situação e decide em termos práticos como Ele pede para os seus discípulos fazerem. Não se trata de um mestre falso em que afirma “Faz o que eu te digo, não faças o que eu faço”, Jesus é coerente e Ele não nos pede nada que Ele não tenha feito e acima das nossas forças para fazer. Por isso os ensinamentos de Jesus têm autoridade. Por outro lado, os doutores da lei ensinavam, mas não praticavam o que ensinavam, eram falsos profetas. E nós? Praticamos aquilo que professamos?

 

Nós que, atualmente, declaramos ser cristãos, fizemos uma profissão de fé em Jesus, particularmente na conversão e publi­camente no batismo. Damos a impressão de honrar a Jesus, cha­mando-o de “o Senhor” ou “nosso Senhor”. Recitamos o credo na igreja e cantamos expressivos hinos de devoção a Cristo. Até exercemos uma variedade de ministérios em seu nome. Mas ele não fica impressionado com nossas palavras piedosas e orto­doxas. Ele continua pedindo evidências de nossa sinceridade em boas obras de obediência.

 

[1] Bruce, p. 135.

[2] Calvino, p. 370

Publicado por: absesimbra | 22 de Dezembro de 2019

Pregação Mateus 7:13-20

Continuamos e estamos a chegar ao fim do estudo do sermão do monte. Vamos continuar a ler Mateus 7 agora desde o verso 13 até ao 20 e para a semana terminamos com os versos 21 a 29.

LER Mateus 7:13-20

Versos 13 e 14

Porta estreita – caminho estreito – vida

João 10:7-9 (LER) Jesus é a porta.

Para a vida eterna com Deus.

João 14:5-6 (LER) Jesus é o caminho.

Porta larga – caminho largo – perdição (morte)

João 10:10 (LER) o Diabo vem para destruir

Para a vida eterna afastado de Deus (perdição eterna)

Efésios 6:12 (LER) os nossos inimigos são:

 

Na prática o próprio Jesus passou por situações em que teve de escolher entre o caminho estreito e o largo, nós vamos abordar duas (LER – Mateus 16:21-28) e (LER – Mateus 26:39) Porém as palavras de Jesus são, “Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres.” Estas têm de ser as nossas palavras diariamente face a qualquer decisão com que nos deparamos.

Mas sabemos que a mensagem do evangelho de nos arrependermos e de morrermos para nós mesmos não é uma mensagem popular. Melhor é prometer sucesso, vida farta, dinheiro, saúde, ausência de sofrimento, etc…, mas não podemos pôr em causa a vida eterna por causa das decisões que tomamos em 80 ou 90 anos cá na terra.

Verso 15 – Jesus pede-nos a nós os seus discípulos verdadeiros para tomarmos cuidado e atenção aos falsos profetas que aparentemente parece estarem a pregar o caminho estreito, mas na verdade têm o mesmo objetivo que o descrito em João 10:10 da parte de Satanás aqui comparados a “roubadores”. Tentam afastar os santos, os discípulos de Jesus da mesma forma que fizeram com o próprio Jesus tentando-O afastar-se da cruz e do sacrifício que viria a salvar toda a humanidade.

Versos 16-20 – Como nós podemos descobrir esses lobos em pele de ovelhas?

Há uma frase do poeta António Aleixo que diz o seguinte:

“Falas bem gosto de te ouvir; e a tua voz ecoas. É pena não usares a moral que apregoas!”

Ora é exatamente isto eu Jesus afirma nestes versículos. O verso 20 é claro naquilo que é a forma como nós podemos verificar se o mestre é falso ou verdadeiro. E o que a Bíblia entende por fruto? LER Gálatas 5:16-26

Concluindo cada cristão deve buscar o fruto do Espírito, deve ser algo que devemos cada vez mais ter ao longo da nossa caminhada com Cristo. (dar a ideia de progressão) E cada cristão deve observar isso também nos seus líderes. Não julgando, mas ajudando-nos uns aos outros para que cada um possa ser mais como Cristo nesta caminhada no caminho estreito. Sempre com a ajuda do E. Santo – João 14:26

Publicado por: absesimbra | 15 de Dezembro de 2019

Pregação Mateus 7:1-12

Chegámos ao último capítulo do relato do sermão do monte. Mateus 7 consiste de um grupo de parágrafos aparentemente isolados. Quando lemos parece-nos que existe um discurso nada fluído logo elo existente entre eles não é óbvio, mas chegamos à conclusão que o fio de ligação que corre por todo o capítulo, embora de maneira solta, é o dos relaciona­mentos. Jesus afirma que os relacionamentos são de extrema importância para todos os que querem ser seus discipulos. Poderia parecer bastante lógico que, tendo descrito o caráter, a influência, a justiça, a piedade e a ambição do cristão, Jesus se concentrasse finalmente nos seus relacionamentos, pois o sermão do monte trazendo uma contracultura cristã não é algo individualista, mas comuni­tário, comuidade igreja local diga-se, e os relacionamentos dentro da comunidade são de suma importância. Portanto, Mateus 7 dá-nos um registo da rede de relacionamentos aos quais, como dis­cípulos de Jesus, somos atraídos. Podem ser assim apresentados:

 

  1. (vs. 1-5). Para com o nosso irmão, em cujo olho percebemos um argueiro e a quem temos a responsabilidade de ajudar, não de julgar;
  2. (v. 6). Para com um grupo espantosamente designado de “cães” e “porcos”. São pessoas, é verdade, mas a sua natureza semelhante à animal. São de tal espécie que somos instruídos a não partilhar as coisas Santas com elas;
  3. (vs. 7-11). Para com o nosso Pai celeste, do qual nos aproximamos em oração, confiantes de que ele não nos dará nada menos que “boas coisas”;
  4. (v. 12). Para com todos de maneira generalizada: a Regra Áurea deveria orientar a nossa atitude e o nosso comportamento para com eles;
  5. (vs. 13,14). Para com os nossos companheiros de viagem nesta pere­grinação pelo caminho estreito que é a vida cristã;
  6. (vs. 15-20). Para com os falsos profetas, que temos de reconhecer e dos quais devemos nos acautelar;
  7. (vs. 21-27). E para com Jesus, nosso Senhor, cujos ensinamentos temos de ouvir e obedecer;

 

Esta semana estudaremos os primeiros 4 e nas restante semanas os outros 3. Vamos então ler as primieras 4 secções e estudá-las em conjunto.

LER Mateus 7:1-5

Julgamento aqui não significa que nós não podemos chamar atenção do nosso irmão em Cristo numa determinada ação ou vertente de carácter em que exista uma falha, aliás na Bíblia temos orientações para que o possamos fazer de forma a crescermos juntos rumo à estatura do Mestre. Ideias como as descritas em Provérbios 27:17 “Como o ferro com o ferro de afia assim o homem ao seu amigo.” e em Lucas 17:3 nas palavras de Jesus que afirma “Se o teu irmão pecar contra ti, repreende-o e perdoa-lhe.” Entre outras dão-nos o claro ensino que viver em comunidade não é poder fazer tudo o que se quer sem que ninguém diga nada, ou seja uma vida de libertinagem porque ninguém me poderá julgar.

Está claro que o tema da correção fraterna é importante na Bíblia. Ela insinua que ninguém pode viver em comunidade e deixar que coexista o pecado. Porém o intuito último é preservar a unidade da comunidade e afastar o pecado – só em casos extremos afastar o pecador. Este conceito já é presente no Antigo Testamento. Em Levítico 19:17 lemos: “Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado.”

O que poderá então significar esta palavra de Jesus aqui em Mateus 7, não julgar…?

Nós podemos ter a resposta a esta pergunta analisando alguns textos do Novo testamento.
Gálatas 6:1 “IRMÃOS, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.”

Ou seja, a nossa postura diante do erro do nosso irmão não é de censura (ou seja, julgamento) mas sim de ajuda mútua para que ele possa crescer nessa área da sua vida. Jamais poderemos ter uma atitude de julgamento mostrando uma espécie de superioridade diante das fraquezas do nosso irmão em Cristo. O Amor deve prevalecer e na prática do amor um acompanhamento genuinamente interessado na recuperação do nosso irmão.

Jesus conta uma pequena ilustração sobre a trave no nosso olho e o argueiro do olho do nosso irmão, para ilustrar esta postura de hipocrisia quando vivemos focados nos erros dos outros e com isso passamos despercebidos para com os nossos próprios erros. Todos nós erramos e a nossa postura para com o erro do nosso irmão, não deve ser de irresponsabilidade afirmando que não podemos julgar, mas sim de responsabilidade e em humildade ajuda-lo a crescer sempre levando à prática o texto de I Coríntios 10:13-14Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. 13Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.”

Mais uma vez Jesus afirma que a hipocrisia não deve fazer parte do carácter de um discípulo de Cristo. Se no capítulo 6 a hipocrisia era referente à nossa religiosidade aqui refere-se aos nossos relacionamentos. E é tão fácil sermos hipócritas nos nossos relacionamentos, focando mais o erro do outro do que aquilo que efetivamente precisamos de mudar na nossa vida.

Porém o verso de Mateus 7:6 mostra-nos uma outra vertente que também temos de observar.

Ler Mateus 7:6

Para nos ajudar a entender o que Jesus poderá estar a dizer neste versículo, temos de olhar para o contexto dos versos anteriores e analisar mais alguns textos bíblicos que também poderão facilitar essa interpretação. Pelo restante ensino de Jesus, seja o que vem antes de não julgarmos os nossos irmãos, mas termos paciência no processo de tratamento do erro dele, e também textos como a grande comissão de levar o evangelho a toda a criatura, jamais poderemos interpretar este texto como algo que Jesus diz para desistirmos das pessoas. Deus não desiste de nós e está sempre pronto para mediante o nosso arrependimento nos aceitar de volta e recomeçar. Deus é um Deus de recomeços e que nos perdoa, por isso devemos nós também à semelhança do nosso Pai do céu sermos “recomeçadores” e perdoadores de relacionamentos. Mas como disse “mediante o nosso arrependimento”, ou seja, há algo que Deus quer da nossa parte para esse recomeço e esse perdão, o nosso arrependimento.

Se analisarmos por exemplo Romanos 16:17 e I Coríntios 5:11-13 (LER)

Percebemos aqui que cães e porcos são todos os que têm estas características descritas nestes dois exemplos de passagens da Bíblia.

Ou seja, a nossa postura como corpo de Cristo não deve ser de estar numa passividade perante o pecado constante e a falta de arrependimento de um supostamente irmão (digo supostamente porque se a pessoa tem este tipo de comportamento deverá converter-se primeiro, logo aí como não entendeu o evangelho e não é salva não é irmão) mas sim depois de termos feito tudo e lhe darmos constantes oportunidades de mudança e termos oferecido ajuda para mudar, este individuo continua num comportamento que denigre Deus e a Sua igreja. Por isso deve ser convidado a sair do nosso meio.

É sempre complicado um processo destes por isso deve ser feito com muita calma e ponderação, com muita sabedoria e seguindo os tramites do texto de Mateus 18:15-17 “Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir, ganhaste o teu irmão. Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas. Caso não lhes der ouvido, dizei-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano.”

Ou seja, existe uma série de ações num processo onde deve prevalecer o amor e como principal objetivo a restauração da pessoa. Mas devemos ter um sentido de proteção para com a comunidade. Os que se comportam para com as coisas espirituais como cães e porcos não devem ter espaço entre nós para destruir aquilo que é a nossa comunidade.

Continuando o texto de LER Mateus 7:7-11

Parece que a passagem de uma prte do texto para esta em nada se relaciona com a parte seguinte, mas é natural que Jesus tenha passado de nosso relacionamento com os homens para nosso relacionamento com o nosso Pai celeste, principalmente porque o nosso dever cristão para com eles (não julgá-los, não lançar pérolas aos porcos e ser prestativos sem ser hipócritas) é por demais difícil sem a graça divina, e existem situações com pessoas desagradáveis que se comportam como cães e porcos que somente através da oração conseguimos ultrapassar. Não devemos desistir para que Deus possa mudar o coração dessas pessoas.

 

Esta passagem não é a primeira instrução sobre a oração, no Sermão do Monte. Jesus já nos advertiu contra a hipocrisia dos fariseus e o formalismo dos pagãos, e nos deu o seu próprio mo­delo de oração. Falámos da oração do Pai Nosso e o ensinamento que podemos retirar dessa oração para a nossa vida de oração. E aqui Jesus diz-nos claramente que Deus ouve as nossas orações e mais, Ele responde.

 

Pedir, procurar e bater, tudo indícios que devemos persistir e perseverar na oração, porque Deus como Bom Pai que é vai conceder os desejos do nosso coração. Mas, e aqui reforço o “MAS” e abordando a pregação da semana passada, é importante que o nosso coração esteja em sintonia com o coração de Deus, buscando tesouros no céu e não as coisas terrenas. Se o nosso coração estiver em sintonia com o coração de Deus, Ele é um Bom Pai e vai conceder a nossa vontade mas nunca contradizendo a Sua soberana vontade.

 

Um livro que estou a ler sobre o sermão do monte diz o seguinte:

“Primeiro, oração pressupõe conhecimento. Considerando que Deus só concede dádivas de acordo com a sua vontade, temos de esmerar-nos em descobri-la — pela meditação nas Escrituras e pelo exer­cício da mente cristã disciplinada nessa meditação. Segundo, oração pressupõe fé. Uma coisa é conhecer a vontade de Deus; outra é nos humilharmos diante dele e expressarmos a nossa confiança em que ele é capaz de executar a sua vontade. Terceiro, oração pressupõe desejo. Podemos conhecer a vontade de Deus e crer que ele pode executá-la, e ainda assim não desejá-la. A oração é o principal meio ordenado por Deus para a expres­são de nossos mais profundos desejos. E por isso que a ordem de “pedir — buscar — bater” está no imperativo presente e em escala ascendente, para desafio de nossa perseverança.

Assim, antes de pedir, precisamos saber o que pedir e se está de acordo com a vontade de Deus; temos de crer que Deus pode concedê-lo; e precisamos genuinamente desejar recebê-lo. Então, as graciosas promessas de Jesus se realizarão.”

Perseverar em oração sabendo que se pedimos de acordo com a vomntade de Deus, Ele vai responder.

 

LER Mateus 7:12

Este último verso que estudamos hoje, foca o relacionamento com o próximo e Jesus cita por outras palavras o segundo mandamento mais importante da Lei, se o primeiro é amar a Deus de todo o nosso coração, o segundo é amar o próximo como a nós mesmos. E Jesus aqui afirma mesmo isso que aquilo que nós gostamos que nos façam isso também devemos fazer aos outros, ou citando na negativa, não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti. Algo que está bastante atual.

Conclusão: Portanto, em Mateus 7:1-12, Jesus apresentou-nos os relaciona­mentos básicos. No centro está nosso Pai celeste, Deus, do qual nos aproximamos, de quem dependemos e que nunca dá a seus fi­lhos outra coisa que não sejam boas dádivas. Logo a seguir, vêm os nossos companheiros de crença. E a anomalia de um espírito de condenação (que julga) e de um espírito hipócrita (que vê o cisco apesar da trave), e que é incompatível com a fraternidade cristã. Se os nossos companheiros cristãos são verdadeiramente nos­sos irmãos e irmãs no Senhor, é inconcebível que não estejamos in­teressados em ter atitudes construtivas para com eles.

Quanto àqueles que estão fora da família, há o caso extremo dos “cães” e “porcos”, mas não são típicos nem sequer a maioria. Há um grupo excep­cional de pessoas obstinadas que se comportam como “cães” e “porcos”, poderíamos dizer, em sua rejeição decisiva de Jesus Cristo. E em relação a elas relutantemente temos de abandoná-las. Mas, se o versí­culo 6 é uma exceção, o versículo 12 é uma regra, a Regra Áurea. Ela transforma as nossas atitudes. Se nos colocarmos sensitiva­mente no lugar de outra pessoa, desejando-lhe o que gostaríamos para nós mesmos, jamais seremos maus, porém sempre gene­rosos; jamais seremos rudes, mas sempre compreensivos; jamais seremos cruéis, mas sempre bondosos.

Façamos uma avaliação dos nossos relacionamentos e tentemos perceber se estamos a ser discipulos de Cristo ou seguidores das trevas?

Publicado por: absesimbra | 5 de Dezembro de 2019

Pregação Mateus 6:19-34

Continuação do sermão do monte. Estudámos melhor a oração do “Pai nosso” na terça-feira na reunião de oração e foi uma bênção. Hoje vamos continuar com o restante capítulo 6 vamos ler Mateus 6:19-34 (LER)

Exposição dos versos 19 a 21

Tesouros na terra – tudo o que nos tira o foco do reino de Deus. Não só bens materiais, mas também filhos, família, carreira profissional, etc… E os bens terrenos e materiais.

Tesouros no céu – tudo o que nos ajuda a estar focados no reino de Deus. Oração, evangelização, igreja, palavra de Deus, etc… ganhar almas/pessoas para Cristo.

Existe aqui uma tensão na vida do discípulo de Cristo entre a realidade material e a realidade espiritual. Uma realidade o discípulo apreende com os seus sentidos, a outra entra no campo da fé, logo é de mais difícil perceção. Muitas pessoas vacilam aqui neste ponto porque não têm tanta facilidade em apreender a realidade espiritual quanto a realidade física/material.

Há uma relação direta entre aquilo que consideramos tesouro e o nosso coração.

Importa definir tesouro (algo precioso a que damos importância – confrontar com Mateus 13:44) ou seja nesta pequena parábola vemos que o personagem vendeu todos os bens materiais terrenos para ganhar o tesouro do reino de Deus. Se fosse preciso estaria disposto a vender ou a doar todos os seus bens para seguir Cristo? Para ganhar almas? Exemplo de missionários que saem do conforto do seu país para irem enfrentar perseguição por amor aos perdidos.

Na relação com Cristo, coração é o centro de decisões do homem, em Jeremias 29:13 Deus afirma que nós podemos achá-lo quando o buscarmos de todo o nosso coração. O mandamento mais importante que Jesus nos deixa é amar a Deus de todo o nosso coração. Quando aceitamos Cristo como nosso Senhor e Salvador afirmamos que o “aceitamos no coração”, ou seja, tomámos essa decisão interiormente. Mas infelizmente o coração do homem é enganoso (ver Jeremias 17:9-10) e por isso há esta tensão entre as riquezas do reino de Deus e as riquezas desta terra.

Uma boa forma de avaliarmos a nossa decisão de ser discípulo de Jesus é avaliar onde está o foco do nosso coração? Quem reina no nosso coração?

Exposição dos versos 22 a 23

A Bíblia em Tiago 1:13-16 afirma que o pecado surge pela cobiça, e como surge a cobiça? Através do olhar. Olhar, reparar o que os tesouros na terra que o meu próximo tem, e com isso comparar e ficar com inveja desejando esses tesouros para mim também. O próximo passo é tomar medidas para ter isso também, e assim a nossa vida vai ficando dominada e focada nos tesouros desta terra.

A Bíblia conta que Job (Job 31:1) teve de fazer um pacto com os seus olhos para não cair na tentação com o sexo oposto, alguns de nós têm de fazer a mesma oração de Job, de fazer um pacto com os nossos olhos para não cairmos da tentação de cobiçar o que os outros têm e com isso dar à luz o pecado que nos afasta de Deus.

Exposição do verso 24

Jesus sabe que um verdadeiro rival no senhorio do coração dos seus discípulos iriam ser as riquezas desta terra. Algumas traduções dizem “Mamom” que significa dinheiro.

Não podemos andar indefinidos na caminhada com Cristo, aliás em Apocalipse 3:15-16 afirma que no ser discípulo de Jesus não há meio-termo, ou seja, não há o ser morno, ou se é ou se não é. Jesus numa outra ocasião afirma “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.” (Lucas 11:23).

Então este assunto é muito sério e nós até que podemos tentar seguir Jesus, mas somente o vamos conseguir a 100% quando nos desprendermos das riquezas desta terra. Então tem dificuldade em contribuir financeiramente para a igreja? Para ajudar o próximo? Para apoiar os necessitados? Em doar dinheiro para missões? Para ajudar a igreja perseguida? Talvez esteja muito apegado ás riquezas desta terra e não às riquezas do céu.

Exposição dos versos 25 a 34

Deus conhece as nossas necessidades, por vezes o nosso problema é que confundimos necessidade com supérfluo, e por vezes a luta no nosso dia-a-dia pelo supérfluo causa-nos ansiedade. As aves dos céus vivem apenas para terem o essencial e Deus cuida delas, também cuidará dos seus discípulos. Jesus afirma que a ansiedade não acrescenta nada de positivo à nossa vida. Côvado era uma medida usada no tempo de Jesus que media sensivelmente 45 cm. O mesmo exemplo dado para as aves do céu em relação à comida e à bebida, é dado em relação à roupa, mas com os lírios, no fundo erva, que hoje existe e amanhã é queimada quanto mais cuidará dos seus discípulos? Todos nós de uma forma geral sabemos quem foi Salomão, mas se formos até I Reis 10:14-29 ler uma descrição daquilo que ele possuía, podemos ver efetivamente aquilo que Jesus dá como exemplo.

Um discípulo de Cristo não deve ceder diante as modas do mundo caindo num consumismo tendo como primeira regra o “ter”.

Um outro aspeto interessante é vermos a quantidade de paralelos que existe entre estas palavras de Jesus e a oração do Pai nosso. No verso 7 Jesus foca os gentios, os pagãos que não tinha Deus como Deus, e no verso 32 Jesus volta a focar esse mesmo grupo de pessoas. Os gentios procuram essas mesmas coisas porque não têm um deus que cuida deles, nós, porém os discípulos de Cristo temos um Deus diferente dos pagãos, que cuida de nós, que se preocupa connosco.

O nosso Deus no verso 9 na oração do Pai nosso é descrito como sendo o Deus que estás nos céus, sendo que esta expressão significa que Deus está noutro patamar, Ele não é um pai terreno, um pai terreno falha, mas o nosso Deus Pai que estás nos céus, que está acima, que é mais poderoso que é perfeito e Santo, Ele jamais falhará, no verso 32 está lá a mesma expressão “Pai Celestial…” Sabe que nós precisamos delas.

Mais um paralelo é quando na oração do Pai Nosso está a expressão “O pão de cada dia dá-nos hoje”, nada melhor do que o verso 34 para compreender esta ideia, de que Deus cuida de nós um dia de cada vez, logo Ele pede-nos para vivermos um dia de cada vez, “Portanto não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” Isso tem implicações diretas na nossa vida, uma delas é que Deus cuida de nós no presente, por isso não vale a pena nós nos preocuparmos ou termos ansiedade por causa do futuro, tentar viver no presente as preocupações do futuro é entrar em desespero e acabamos por ficar stressados e com isso diminuir em muito a nossa qualidade de vida.

Jesus já estava a usar algo que a psicologia afirma ser uma espécie de cura para a ansiedade, “viver um dia de cada vez, viver um problema de cada vez” e Deus cuidará.

Concluindo, Jesus sabia e sabe porque ainda hoje é assim, que um dos grandes desafios da vida dos seus discípulos iam ser a atração às riquezas deste mundo. Jesus sabia isso porque Ele como nosso Sumo-sacerdote também foi tentado pelo próprio Satanás nessa área (Ler Hebreus 4:15 e ver isso na prática em Mateus 4:8-9).

Mas Jesus promete que se o colocarmos a Ele e as coisas concernentes ao Seu Reino em primeiro lugar que nada do que necessitamos, e aqui sublinho necessitamos, nos vai faltar para viver.

Convém-nos refletir sobre o que desejamos mais? A presença de Deus ou as riquezas deste mundo? Uma coisa ou outra não existem meios termos, lembremo-nos da mornidão e da consequência para essa mornidão. Quer saber se é discípulo verdadeiro de Cristo? Coloque sempre o Reino de Deus em primeiro lugar independentemente das consequências ser discípulo de Cristo é estar pronto para assumir essas consequências, assumir as consequências da obediência a Cristo sabendo que Deus vai honrar quem o honra a Ele.

Publicado por: absesimbra | 29 de Novembro de 2019

Pregação AB SSB – Mateus 6:1-18

Voltamos novamente ao estudo do sermão do monte, vamos ler Mateus 6:1-18 (LER)

Jesus continua o seu discurso. E se analisarmos bem existe um grupo de pessoas a quem Jesus se dirige em comparação negativa… “Não sejais como os hipócritas”

Um hipócrita é um mentiroso pois tenta passar algo que não corresponde á realidade interior. Jesus passa a focar a vida com Ele no secreto. Se no discurso do sermão do monte logo no início, Jesus afirma para mostrarmos a nossa “luz”, ou seja, darmos nas vistas pelo bem, aqui Jesus valoriza o secreto.

No secreto é tão mais difícil ser-se algo que na verdade não somos. Ou seja, é na intimidade que verdadeiramente somos aquilo que somos. A vida cristã é essencialmente interior, que depois se manifesta no exterior.

Vários textos bíblicos falam em guardar a lei do Senhor no coração. O Salmo 119:11 diz que o salmista guardou a palavra de Deus no coração para não pecar contra Deus, assim deduzimos que uma boa forma de lutar contra o pecado não é uma luta exterior mas sim interior que depois tem repercursões no extrior comportametal. Significa isto que seguir a Jesus é essencialmente de dentro para fora e não algo que é imposto pelo exterior. A religião é algo exterior, enquanto que um relacionamento é interior. Mais tarde ou mais cedo o comportamento se for imposto pelo exterior vai terminar, agora se vier de dentro para fora vai perdurar no tempo.

 

Jesus foca aqui alguns comportamentos exteriores do nosso relacionamento com Deus, que eram práticas religiosas judaicas:

– dar esmolas (ajudar os necessitados);

– orar (falar com Deus);

– jejum (uma disciplina que mostra a nossa total dependência de Deus).

 

Todas estas eram práticas religiosas judaicas. Jesus ao focar estas áreas ele fala para os religiosos, e cita os hipócritas. Isso significa que os maiores hipócritas eram aqueles que lideravam os povo nas questões religiosas. Todas estas áreas podem enganar os homens mas jamais enganar a Deus. Isto pode significar que as pessoas da igreja, os crentes são os que mais cuidado têm de ter com a hipocrisia, com o viver algo que não são.

 

Mas se foi a nossa cobardia humana que levou Jesus a dizer: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens”, e a nossa vaidade humana que fez Jesus dizer que tomás­semos o cuidado de não praticar nossa piedade diante dos ho­mens.

Vaidade e hipocrisia, orgulho e altivez, está tudo relacionado.

As nossas boas obras devem ser pú­blicas para que a nossa luz brilhe; nossa devoção a Deus deve ser secreta para não nos vangloriarmos dela. Além disso, a fina­lidade de ambas as instruções de Jesus é a mesma, isto é, a glória de Deus.

Quando começamos a assumir responsabilidades e a sermos bem-sucedidos, os homens começam a reparar em nós. E as posições de liderança começam a surgir de uma forma natural. Até porque a maioria das pessoas não se quer dar ao trabalho de ajudar. Alguém que assume ser sal e luz e está pronto a ajudar, isso é valorizado. Mas quando começamos a receber a aprovação dos homens podemos ser contaminados pelo orgulho.

O orgulho é algo que Deus não aprova, aliás em Tiago 4:6 afirma que Deus resiste aos soberbos (orgulhosos) porém age em favor dos humildes. A humildade é uma caraterística apreciada por Deus.

E nesse sentido o risco de contaminação pelo orgulho começa a aumentar. A contaminação maior é a corrupção. Por em causa os princípios de Cristo que agora são seus, por causa do proveito que se pode ganhar para a satisfação dos seus desejos carnais. Ou seja, passa por momentos a sermos nós próprios o senhor da nossa vida ao invés de ser Jesus o Senhor da nossa vida.

Jesus fala do exercer a justiça diante dos homens, com o fim de ganhar protagonismo.

Jesus fala do contribuir com os nossos recursos não com o fim de ajudar simplesmente, mas para dar nas vistas diante dos homens e ganhar a sua aprovação, ou dar à espera de receber.

Jesus fala na questão de orarmos com o objetivo de mostrar aos homens a nossa intimidade com Deus e com isso ficar bem na fotografia e mostrar que somos espirituais.

E Jesus fala do jejum novamente como o exercitar uma disciplina espiritual, mas com o propósito de mostrar aos outros o quão somos espirituais e não somente porque é entre mim e Deus, vivido na intimidade, algo que exercito para aumentar a minha dependência de Deus.

No fundo Jesus fala de um estado em que é muito fácil de permanecer diante de Deus e dos homens que é a Hipocrisia. Não façam como os hipócritas. Um discípulo de Jesus deve ser verdadeiro e não falso.

Sem fingimento, viver algo exteriormente que não se vive interiormente. Mateus 23:28

O objetivo do discípulo de Jesus é na sua vida agradar a Deus e não agradar os homens.

Mas parece haver aqui uma certa contradição, porque Jesus afirma que a nossa luz deve brilhar diante dos homens, mas agora diz que a nossa espiritualidade deve ser vivida no secreto. A diferença é a quem nós queremos dar Glória? No final do verso 16 do cap. 5 Jesus diz que os homens olhando para o nosso estilo de vida baseado no seguir a Jesus, estes devem dar glória a Deus, e não dar glória a nós próprios.

Jesus promove uma santidade de coração e não somente aquela que é exterior e que pode enganar os homens, mas jamais enganará Deus.

A seguir à hipocrisia e á aprovação dos homens vem o orgulho de sermos elogiados e aprovados pelos homens. Não há mal nenhum em ser elogiado e aprovado pelos homens, aliás é o que Paulo motiva a Timóteo para ele se apresentar como que aprovado diante de Deus e dos homens, e isso é bom, o problema está quando isso nos sobe á cabeça e começamos a nos glorificar mais a nós próprios do que a Deus.

Na verdade, tudo o que somos e possuímos devemos a Deus e a nossa postura deve ser em gratidão canalizar o elogio para Ele.

Temos de vigiar porque a nossa motivação de sermos sal e luz pode passar a ser a aprovação dos homens e não a nossa identidade em Cristo. Com isso depois passamos apenas a sê-lo ou melhor a fazer coisas relacionadas com isso somente quando há alguém a controlar ou a ver, e não por estilo de vida comprometido com o facto de sermos seguidores de Cristo.

A oração do Pai nosso que está incluída nesta secção é uma oração modelo que vê Deus como Pai e não como algum génio da lâmpada que está cá para satisfazer os nossos desejos. Isto porque a oração pode facilmente se tornar antropocêntrica e não Cristo Centrica como deve ser, buscando a vontade de Deus.

Na terça-feira vamos estudar melhor esta oração, e orar com base nela, por isso não deixem de ir à reunião de oração.

Queria voltar ao Jejum e explicar um projeto que como igreja vamos ter a partir do próximo domingo. 50 dias de Jejum e oração…

Pode ser jejum de comida este é o mais falado, mas pode ser jejum de várias áreas tais como TV, computador, novela, séries, redes sociais, imagine uma coisa que acha que não consegue passar um dia sem fazer? Faça uma abstinência disso mesmo, e dedique tempo à oração no tempo que ia gastar ao fazer isso. Mas não faça disso algo para se orgulhar, mas sim em humildade chegar à conclusão que tem de depender de Deus para que Ele o ajude a ultrapassar esse desafio. Orar pelo quê? Por 5 pessoas que quer falar de Jesus Cristo e do Evangelho, e convidar para a festa de natal do dia 22 de dezembro.

(Distribuir os papéis)

Publicado por: absesimbra | 28 de Novembro de 2019

Pregação Mateus 5:17-20 A Lei de Deus firmada no coração

Estamos então a estudar o sermão do monte e até aqui, Jesus fala sobre o caráter do cristão e sobre a influ­ência que este teria no mundo, caso manifestasse tal caráter, produzindo, assim, o fruto de “boas obras”.

A partir de agora, Jesus pros­segue definindo melhor este caráter e estas boas obras em termos de justiça. Ele explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os seus discípulos têm fome (v. 6) e por cuja causa eles sofrem (v, 10), é uma correspondência à lei moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v. 20). As “boas obras” são obras da obediência. Ele começou o seu Sermão com as bem-aventuranças na terceira pessoa (“Bem-aventurados os humildes de espírito”); continuou na segunda pessoa (“Vós sois o sal da terra”); e, agora, muda para a primeira pessoa, usando, pela primeira vez, sua fórmula característica e dogmática: Por­que . . . (eu) vos digo (vs. 18 e 20).

Este pequeno excerto do sermão do monte divide-se em duas partes: versos 17 e 18 Cristo e a Lei, os versos 19 e 20 o Cristão e a Lei

Quando Jesus afirma que vem cumprir a lei de Deus, o verbo traduzido por “cumprir” (plërösai) no grego, significa literal­mente “encher” e indica, que “as palavras de Jesus, não eram uma anulação das pri­meiras dadas por Moisés e pelos profetas, mas uma exposição e o cumprimento delas.”

Basta enfatizar que, de acordo com este versículo (v. 17), a ati­tude de Jesus para com o Velho Testamento não foi de des­truição e descontinuidade mas, antes, de continuidade cons­trutiva, orgânica. Ele resumiu sua posição numa simples palavra: não “abolição”, mas “cumprimento”.

Então se Jesus veio cumprir com a Lei de Deus qual deverá ser a nossa postura mediante a Lei de Deus? Devemos cumpri-la.

Mas no verso 19 Jesus afirma que a obediência pessoal à Lei de Deus não basta; o discípulo cristão verdadeiro deve também ensinar aos outros a natureza permanentemente e obrigatória dos manda­mentos da lei.

Com essa prática a justiça do cristão ultrapassa de longe a justiça dos fariseus, em espécie mais do que em grau. Poderíamos dizer que não é uma questão de os cristãos conseguirem obedecer a 248 mandamentos enquanto os melhores fariseus só conseguiram fazer 230 pontos. Não. A justiça do cristão é maior do que a justiça dos fariseus porque é mais profunda, porque é uma jus­tiça do coração.

E esse sempre foi o foco de Deus. Enquanto os fariseus contentavam-se com uma obediência externa e formal, uma conformidade rígida à letra da lei; Jesus ensina-nos que as exigências de Deus são muito mais radicais do que isto. A justiça que lhe agrada é uma justiça interna, de mente e de motivação, pois “o Senhor (vê) o coração”

É isso que lemos em:

Jeremias 31:33

“A nova aliança que nessa altura farei com o povo de Israel será assim: vou gravar a minha lei dentro deles, vou escrevê-la nos seus corações. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Palavra do Senhor!”

Ezequiel 36:27

“Vou pôr o meu espírito em vós e farei com que obedeçam fielmente às minhas leis e aos meus mandamentos que vos dei.”

Assim coincidem as duas promessas de Deus: de colocar a sua lei dentro de nós e de pôr em nós o seu Espírito. Não devemos imaginar (como alguns pensam hoje em dia) que, quando temos o Espírito, podemos dispensar a lei, pois o que o Espírito faz em nossos corações é exatamente escrever neles a lei de Deus. Portanto, “Espírito”, “lei”, “justiça” e “coração” todos se relacionam. Os fariseus pensavam que uma conformidade externa à lei seria uma justiça suficiente.

Portanto é esta obediência profunda, que ê a justiça do coração e que só é pos­sível naqueles em quem o Espírito Santo operou a regeneração e nos quais agora habita. É por isso que a entrada no reino de Deus é impossível sem uma justiça maior (isto é, mais profunda) do que a dos fariseus. É porque tal justiça é evidência do novo nascimento, e ninguém entra no reino sem ter nascido de novo.

 

Vamos ler o restante do capítulo 5. O restante de Mateus 5 contém exemplos desta justiça maior, ou, antes, mais profunda. Consiste de seis parágrafos paralelos, que ilustram o princípio que Jesus acabou de propor nos versí­culos 17 a 20, sobre a perpetuidade da lei moral, da sua vinda para cumpri-la e da responsabilidade dos discípulos em obedecê-la mais completamente do que os escribas e fariseus. E cada parágrafo contém um contraste ou uma “antítese”, introduzi­da pela mesma fórmula (com variações menores): Ouvistes que foi dito aos antigos . . . Eu, porém,   vos digo . . .   (21,  22). LER

 

Estas coisas que Jesus cita que foram ditas aos antigos eram distorções da lei, em momento nenhum na Bíblia está escrito por exemplo, para se odiar os inimigos (Mateus 5:43), ou seja deduz-se que era algo ensinado falsamente pelos líderes. Foram estas distorções da lei que Jesus rejeitou, não a lei propria­mente dita.

A conhecida atitude de Cristo para com o Velho Testamento no capítulo anterior em Mateus 4, Mateus apresentou a narra­tiva das tentações de Jesus durante quarenta dias no deserto. Cada tentação do diabo foi enfrentada com uma citação apropriada do Velho Testamento. Jesus não precisou discutir ou argumentar com o diabo. Cada questão foi resolvida cabalmente com uma simples menção do que estava escrito.

E esta reverente submissão da Palavra encar­nada à Palavra escrita continuou através de sua vida, não só no seu comportamento pessoal mas também na sua missão. Jesus estava decidido a cumprir o que estava escrito a respeito dele, e não podia ser removido do caminho que as Escrituras tinham traçado para ele.

Por isso, as declarações de Jesus em Mateus 5:17, dizendo que não viera abolir mas cumprir a lei e os profetas, são totalmente coerentes com a sua atitude para com as Escrituras em qualquer outra passagem bíblica.

 

Dos quatro fatores apresentados, fica evidente que as antíteses não colocam Cristo e Moisés em oposição um ao outro, nem o Velho Testamento oposto ao Novo, ou o Evangelho à lei; mas que a verdadeira interpretação que Cristo apresentou da lei é que se opõe às falsas interpretações dos escribas, e, consequente­mente, a justiça cristã é que se opõe à dos fariseus, como o versículo 19 afirma.

 

CITAÇÃO do LIVRO (LER): Os Fariseus achavam que a Tora era uma espécie de um jogo e de um fardo (na verdade, eles o chamavam assim), e desejavam tornar o jugo mais leve e o fardo menos pesado, mas modificando os preceitos de Deus. O modo como eles o faziam variava de acordo com a forma de cada lei, espe­cialmente se era um mandamento (preceito ou proibição) ou uma permissão. Quatro das seis antíteses encaixam-se na cate­goria de “mandamentos”, sendo as três primeiras negativas (proibindo o homicídio, o adultério e o falso juramento) e a última, positiva (prescrevendo o amor ao próximo).

Estas quatro são ordens explícitas de Deus para fazer ou deixar de fazer alguma coisa. As duas antíteses restantes (a quarta e a quinta) descrevem-se melhor como “permissões”. Não pertencem à mesma categoria de ordem moral das outras quatro. Ambas não têm as palavras imperativas. A quarta antítese é relativa ao divórcio, que jamais foi ordenado, mas sim permitido em determinadas circunstâncias e sob certas condições. A quinta refere-se à vingança (“Olho por olho . . .”), que era permitida nos tribunais e que se restringia ao equivalente exato das penali­dades que os juizes israelitas poderiam impor. Portanto, ambas as permissões ficavam circunscritas por limites definidos.

O que os escribas e fariseus estavam a fazer, a fim de tornar a obediência mais fácil de praticar, era restringir os manda­mentos e esticar as permissões da lei. Tornavam as exigências da lei menos exigentes e as permissões da lei mais permissivas. O que Jesus fez foi inverter as duas tendências. Insistiu que fos­sem aceitas todas as implicações dos mandamentos de Deus sem a imposição de quaisquer limites artificiais, enquanto que os limites que Deus estabelecera às suas permissões também deviam ser aceitos e não arbitrariamente ampliados.

Os escribas e fariseus estavam evidentemente restringindo as proibições bíblicas do homicídio e do adultério apenas ao ato; Jesus estendeu-as incluindo os pensamentos de cólera para com o outro, palavras insultuosas e olhares concupiscentes. Eles restringiam o man­damento sobre o juramento apenas a certos votos (envolvendo o nome divino), e o mandamento sobre o amor ao próximo ape­nas a certas pessoas (às da mesma raça e religião). Jesus disse que todas as promessas têm de ser cumpridas e todas as pessoas amadas, sem limitações.

 

Mas os escribas e fariseus não se contentavam simplesmente em restringir os mandamentos da lei para que se adaptassem às suas conveniências; procuravam atender às suas conveniências ainda mais, ampliando as permissões. Assim, tentavam ampliar a permissão do divórcio além do simples fundamento de “alguma indecência” para incluir qualquer capricho do marido, e alargar a permissão da vingança além dos tribunais para incluir a vin­gança pessoal. Jesus, entretanto, reafirmou as restrições ori­ginais.

 

Chamou o divórcio de “adultério”, se baseado em outros fundamentos, e insistiu nos relacionamentos pessoais com a renúncia de qualquer vingança.

 

Este exame preliminar das antíteses mostrou-nos que Jesus não contradisse a lei de Moisés. Pelo contrário, os fariseus é que o estavam a fazer. O que Jesus fez foi explicar o verdadeiro significado da lei moral, com todas as suas implicações. Ele ampliou os mandamentos que eles estavam a restrin­gir e restringiu as permissões que eles estavam a alargar.

Para ele, a lei de Moisés era a lei de Deus, cuja validade era permanente e cuja autoridade tinha de ser aceita. No Sermão do Monte, como Calvino já expressou corretamente, vemos Jesus não “como um novo legislador, mas como o fiel explanador da lei que já fora dada”. Os fariseus tinham “obscurecido” a lei; Jesus “restaurou-a em sua integridade.”

E neste assunto, nós os discípulos cristãos temos de seguir Cristo, e não o exemplo dos fariseus. Não temos liberdade de tentar rebaixar os padrões da lei para torná-la mais fácil de obedecer. Esse foi o erro dos fariseus, não pode ser o dos cristãos. A justiça cristã tem de exceder à justiça dos fariseus.

 

Mas na verdade por vezes fazemos isso, desvalorizamos a lei de Deus para que na nossa mente possamos desculpar as nossas más ações.

 

A Lei de Deus tem de estar firmada no nosso coração.

 

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